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Espetáculos do SESI Bonecos do Mundo encantam 30 mil em Macei

Por Assessoria
Sesi Bonecos em Maceió - Espetáculo Torres andantes da companhia Giramundo - Foto Beto Figueiroa (1)

Sesi Bonecos em Maceió – Espetáculo Torres andantes da companhia Giramundo – Foto Beto Figueiroa (1)

O maior festival de teatro de bonecos da América Latina foi visto por 30 mil alagoanos, nas apresentações do primeiro desembarque do Sesi Bonecos do Mundo, ao longo da última semana, em Maceió. O evento apresentou espetáculos de companhias de sete países – Estados Unidos, Peru, Coreia do Sul, Hungria, Itália, Rússia, além de oito estados do Brasil. Outro destaque importante na programação foi o espetáculo “Alice Live”, que uniu a banda Pato Fu e o grupo Giramundo, no palco, na noite do sábado (2).

O Sesi Bonecos lotou o Teatro Deodoro em nove apresentações do início da semana. Da segunda, 27, à quarta-feira, 29, o público assistiu aos espetáculos no Teatro Deodoro, sempre a partir das 20h. “É um espaço muito especial, não apenas pelo aspecto do patrimônio artístico e cultural, mas porque tem diálogos próprios com a cidade. É o resgate do espaço público para o público na sua melhor expressão”, diz Lina Rosa.

O festival teve sua apoteose nas tardes e noites do sábado (2) e do domingo (3), no Estacionamento do Jaraguá. Tudo totalmente gratuito e com o patrocínio do SESI.

O Estacionamento do Jaraguá foi completamente transformado para o festival, que armou 300 toneladas de equipamentos, para garantir a união do tradicional e do tecnológico, nos espetáculos que interagiram diretamente com o público, em clima familiar e sem registro de violência, como ocorre em todas as edições pelo País.

No Teatro Deodoro, as companhias apresentaram-se em duas matinês, para escolas, comunidades carentes e instituições filantrópicas. E à noite, o público que obteve os ingressos gratuitos lotou o teatro localizado no Centro de Maceió.

As apresentações do Sesi Bonecos com foco na inclusão de escolas públicas e de pessoas com deficiência e necessidades especiais também levaram arte para o público de Santa Luzia do Norte e Penedo.

Na terra de Nise da Silveira, que revolucionou a psiquiatria, pacientes do Hospital Escola Portugal Ramalho também tiveram a oportunidade de serem contemplados com espetáculo do Sesi Bonecos do Mundo.

Essa edição fez, ainda, uma homenagem especial ao mamulengo, como patrimônio imaterial da cultura brasileira, cujo ponto alto foi uma exposição com quase 300 bonecos. Boa parte deles do acervo de Magna Modesto, umas das maiores pesquisadoras brasileiras sobre o tema. A mostra traz verdadeiras relíquias cedidas por mestres mamulengueiros.

Houve, ainda, um espaço especial para os mamulegueiros, a Praça dos Mamulengos. A estrutura também foi composta também por três palcos, um tablado, uma tenda teatro e uma ampla sala de exposição. “Já é uma marca registrada do festival: retiramos os bonecos dos pequenos espaços onde normalmente ocorrem as apresentações e os transportamos para uma superestrutura de luz e som”, ressalta Lina.

ESPETÁCULOS

Um dos diferenciais mais marcantes do Sesi Bonecos é a variedade de técnicas que o festival coloca em cena. “Há manipulações virtuosas com fio, que são de um apuro técnico e de um rebuscamento impressionante”, destaca Lina Rosa, citando como exemplo The Huber Marionettes (EUA) e o russo Viktor Antonov. “Em contrapartida, há companhias em que os fios são desnecessários e o resultado é tão impactante quanto”, compara referindo-se às companhias Hugo e Ines (Peru) e Girovago & Rondella (Itália), que usam partes do próprio corpo como “bonecos”.

Mas o festival também conversou com o que temos de mais tradicional, como os mamulengos. Missão que ficou a cargo dos mestres Zé Lopes e Waldeck, que foram à Praça dos Mamulengos. Além disso, dentro da exposição, os mestres Tonho e Daniel de Chico esculpiram, em tempo real, bonecos para o público.

O Brasil também esteve representado por companhias que trazem leituras bem contemporâneas dessa expressão teatral. O grupo mineiro Giramundo, que ao lado da banda Pato Fu, apresentou o “Alice Live”, uma releitura do clássico “Alice no País das Maravilhas”, Lewis Carroll.

Os gaúchos da companhia Seres Imaginários, que fazem um teatro minimalista, para ser visto a poucos centímetros dos rostos das pessoas, foram outro exemplo. O espetáculo é livremente inspirado em “O Livro dos Seres Imaginários”, de Jorge Luís Borges e Margarita Guerrero.

O Sesi Bonecos do Mundo é um trabalho de resgate e valorização da arte de manipulação de títeres que entra na sua 13ª edição. Já percorreu literalmente os quatro cantos do país, sendo aplaudido por cerca de 2,2 milhões de pessoas. Esteve em Maceió, em 2008, mas na versão “Bonecos do Brasil” – apenas com companhias nacionais – e foi visto por 38 mil pessoas. Essa é a primeira vez que a capital alagoana recebe o evento na sua versão “Bonecos do Mundo”, com artistas internacionais.

“O festival é estruturado a partir de quatro pilares: conteúdo inteligente; conteúdo para todas as idades (não apenas para crianças); diálogo com as linguagens tradicional e contemporânea; e diversidade de técnicas”, detalha Lina Rosa, idealizadora do projeto.

OFICINAS

Durante o Sesi Bonecos do Mundo também aconteceram oficinais gratuitas voltadas para profissionais ligados ao teatro, professores e universitários de artes cênicas e afins: atores, diretores teatrais, cenógrafos, diretores de arte, autores, designers, entre outros. As oficinas para profissionais aconteceram de segunda a sexta, no Espaço Cultural Universitário da UFAL, na Praça Sinimbu – Centro.

Foram duas oficinas com o objetivo de disseminar a cultura do teatro de bonecos e estimular a criação de espetáculos no gênero. A primeira delas foi coordenada por Marcos Ribas. No início dos anos de 1970, Marcos Ribas saiu da Universidade de Brasília, onde estudava, e foi morar em Nova York, onde realizou seus primeiros trabalhos. O Bode e a Onça foi a sua primeira montagem com o Grupo Contadora de Estórias, em 1971. Depois disso, nunca mais parou. Viajou o mundo participando dos principais festivais de teatro da Europa e dos EUA, além de temporadas de grande sucesso no Brasil. Nestes 40 anos de história dedicada aos bonecos, Marcos realizou 26 espetáculos diferentes que alegraram e fizeram pensar.

O grupo Hugo e Ines, formando em 1986, que surpreende o público apresentando as possibilidades expressivas de partes diferentes do corpo, ficou responsável pela oficina “Drama com Corpo”. Os artistas Hugo Suarez e Ines Pasic criam personagens corporais usando pés, joelho, barriga, cotovelo, numa dramaturgia criativa e sem uso de palavras.

De Maceió, o Sesi Bonecos do Mundo segue para Recife, onde inicia na próxima quarta-feira, 6, suas apresentações com o espetáculo Alice Live, da companhia Giramundo e da banda Pato Fu, no Teatro de Santa Isabel, e tem programação no fim de semana, no Parque Treze de Maio.

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