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Presença de Leila Diniz

Por Arnaldo Niskier

Como diretor da Imprensa Oficial do Rio de Janeiro, Haroldo Zager teve a feliz ideia de homenagear a atriz  Leila Diniz. Deu o seu nome ao Centro Cultural da IO, na cidade de Niterói, perpetuando assim a sua memória.

Quando visitei o bonito local, contei a história de como conheci Leila Diniz.  Foi na redação da revista Manchete. Ela aceitou o convite de Justino Martins, diretor da publicação, para escolher fotos de uma reportagem que estava sendo  preparada para sair num dos próximos números. Expansiva, alegre, chamava a atenção de todo mundo. Numa sala escura, acompanhava a projeção dos seus slides, com expressões de admiração e alguns palavrões que não tinham muito cabimento.  Ríamos muito do seu desembaraço e assim foram escolhidas as fotos de sua matéria. Ela saiu de lá feliz da vida.

Antes, o Justino fez questão de me apresentar como seu colega: “O Arnaldo também é professor.”  Ela apertou a minha mão, com um nítido sentido de solidariedade. Éramos colegas, como não?

Ao dar uma histórica entrevista para o jornal “O Pasquim”, Leila demonstrou a sua modernidade.  Os militares classificaram o texto de subversivo, o que levou a atriz a se restringir a espetáculos de teatro de revista.  Lembro bem, em Ipanema, de ter assistido ao seu bem sucedido “Tem banana na banda”, que ela fez já grávida da filha Janaína.  A produção foi do saudoso Aurimar Rocha.

Sem trabalho, Leila aceitou o convite para participar de um festival de cinema na Austrália.  Quanto regressava, morrendo de saudade da filha, sofreu o acidente fatal. O seu avião explodiu na  Índia, causando a morte da atriz.

Ela era muito grata a Flávio Cavalcanti, que lhe arranjou um lugar de jurada no seu famoso programa da TV Tupi.  Foi o único que lhe abriu as portas, naqueles duros tempos de censura. E fez mais: quando a polícia procurou por Leila Diniz, nos estúdios da TV Tupi, na Urca, Flávio a escondeu por algum tempo no  sítio de Teresópolis. Foi amigo até a morte da atriz.

A pergunta que se faz hoje é se haveria espaço, na cena cultural, para uma atriz com as características de Leila Diniz.  Enquanto permanece a dúvida, o fato é que ela deixou um nome na história, com toda a sua beleza e os palavrões que acompanharam o seu insólito comportamento.

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