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Respeito aos Mortos

Por Everaldo Damião

Não gostei do que li como notícia veiculada na GAZETA DE ALAGOAS, na última sexta-feira. Escreveu aquele matutino que a “CUT e Sindicatos fazem Ato Público para marcar 18 anos da queda de Suruagy”, cuja referência nos reporta ao dia 17 de julho de 1997, quando o governador Divaldo Suruagy, após pressão popular, decidiu por renunciar ao Governo do Estado de Alagoas. Segundo a reportagem, o ato público foi preparado pela CUT (Central Única dos Trabalhadores) e pelos Sindicatos filiados a ela, “marcando a passagem do dia 17 de julho e os 18 anos da queda do governador Suruagy”, pois, o evento “terá mais que um caráter histórico e comemorativo, como se costuma fazer”.
Ora, amigo leitor, as críticas e os protestos devem ser dirigidos aos vivos, porque aos mortos só cabe a “repreensão” de Deus. Aos vivos deve-se a cobrança, a indignação e a crítica; aos mortos deve senão o respeito. “Não devemos ter pena dos mortos e sim dos vivos, principalmente daqueles que vivem sem amor no coração”, é o que nos ensina o personagem do “Professor Keating”, no filme “Sociedade dos Poetas Mortos”, ao mostrar aos novos estudantes a Galeria de fotos dos Ex-Alunos da Escola “Welton”, o Prof. Keating fica diante da Galeria de fotos dos alunos que se formaram na tradicional Escola. Ele, então, pede para que os novos aprendizes se aproximem das Fatos para ouvirem o Espírito dos seus predecessores a dizer: “carpe diem”. Diz o mestre aos seus discípulos: “Mas se você escutar bem de perto, você pode ouvi-los sussurrar o seu legado. Vá em frente, abaixe-se. Escute, está ouvindo? – Ouça! – “Carpe, carpe diem”, colham o dia garotos, tornem extraordinárias as suas vidas.”
Aliás, a expressão “Carpe diem” é uma frase latina de um poema de Horácio, que é traduzida para “colha o dia ou aproveite o momento”. É também utilizado como uma expressão para solicitar que se evite gastar o tempo com coisas inúteis ou como uma justificativa para o prazer imediato, sem temor do futuro.
Em que pese a renúncia ao Governo de Alagoas no dia 17 de julho de 1997, em razão da situação de grave crise político-financeira que não pode suportar, o cidadão maçom Divaldo Suruagy, agora no Oriente Eterno, merece respeito ao seu nome e ao seu legado, mesmo que não sejamos um dos seus aliados nem eleitores. Por exemplo, em 1986, eu escrevi uma “Carta Aberta ao Povo Alagoano” pedindo o “Voto Camarão” contra o então candidato ao Governo de Alagoas, Divaldo Suruagy. Tal atitude constituía de votar nulo ou em branco para o cargo de Governador, mas mantendo o voto livre para os demais cargos eletivos. Também em 1994, como membro do Partido PDT, fui candidato ao Governo de Alagoas, concorrente do Senador Divaldo Suruagy, mas, por questões ideológicas no meu partido, abandonei a disputa sobre a qual o político Suruagy foi eleito Governador, obtendo 81% dos votos válidos dos alagoanos.
No entanto, nunca deixei de reconhecer a importância de Divaldo Suruagy no cenário político do estado e do país, como economista, historiador, professor, articulista, maçom (membro do Grande Oriente do Estado de Alagoas), e ex-aluno da Escola Superior de Guerra (ESG). Afinal, ele foi detentor de várias honrarias e mereceu o voto de confiança do povo alagoano, tanto por ser natural de Alagoas (nascido em São Luis do Quitunde (1937), como por ter exercido todos os cargos públicos de confiança e eletivos no Estado, desde a função de servidor público municipal, como servente, escriturário, chefe da Divisão de IPTU, Secretário-Geral do município de Maceió (1962) e chefe da Fundação Educacional de Maceió, até o exercício do cargo de Prefeito Municipal (1965/1970), além de Deputado Estadual (1971/1975), Governador de Alagoas por três (3) mandatos (1975/1978; 1983/1986 e 1995/1997), Deputado Federal (1979/1983 e 2001/2003) e como Senador (1987-1995).
Suruagy também foi Presidente da Central de Abastecimento S/A (CEASA) e da Companhia de Silos e Armazéns de Alagoas.
Mesmo tendo renunciado ao mandato de Governador, em 17 de julho de 1997, Divaldo Suruagy foi um político moderado, respeitado e honrado por todas as lideranças dos partidos políticos em que se filiou: ARENA (Deputado Estadual, 1970), PSD (Governador, 1982), PFL (Senador, 1986) e PMDB (Governador, 1995). Portanto, ensina-nos Christopher Julius Bregmestre que, “mesmo o pior dos teus inimigos merece respeito se fores tu que segurares a arma”. Pensemos nisso! Por hoje é só.

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