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Edna

Por Joao Baptista Herkenhoff
Sobre o despacho que libertou Edna, a grávida que estava presa por delito minúsulo, recebi centenas de cartas e mensagens eletronicas.
        
Por muitos caminhos (caminhos misteriosos, a meu ver), o despacho de Edna chegou a milhares de pessoas, sem que eu tenha meios de aquilatar a dimensão dessa divulgação.
        
Dei a decisão no meio de um expediente forense trepidante, com muitas audiências designadas na agenda.
        
O caso de Edna entrou em pauta mais ou menos às três horas da tarde.
        
O despacho foi proferido verbalmente. Eu fui ditando e a  Escrivã Valdete Teixeira foi datilografando.
        
Quando concluí a decisão, Edna, que tudo acompanhou palavra por palavra, indagou:
        
– “Doutor João, estou livre?”
        
Respondi:
        
– “Está.”
        
– “Doutor João, se meu filho for homem ele vai se chamar João Batista.”
        
Redargui:
        
– “A senhora sabe como João Batista morreu?”
        
– “Não sei não”, Edna respondeu.
        
– “Cortaram a cabeça dele”, expliquei.
        
– “Não tem importância. Ele vai se chamar João Batista mesmo.”
        
Mas nasceu uma menina que recebeu o nome de Elke, em homenagem a Elke Maravilha.
        
Vitória, 16 de setembro de 2020.
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