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Por Carlito Lima

Há alguns anos apareceu na província de Maceió, um cidadão bem falante, terno impecável, roupas de grife, cabelos bem cortados, era conhecido pelo sobrenome, Karafiol. O distinto senhor montou uma empresa de consultoria dirigida especialmente aos grandes empresários, usineiros e companhias.  Ele propunha negócios com vantagem inimagináveis em baixar impostos nas transações de importações de maquinarias e equipamentos. Os empresários logo se interessaram na possibilidade de baixar impostos contrataram a empresa de consultoria, “Marilda Karafiol”. Os resultados foram os melhores possíveis, Karafiol conhecia os tapetes, os bastidores de Brasília, dos impostos de importação, conseguiu baixar alguns impostos com malandragem, legislação duvidosa, propina e mulher. Tornou-se herói entre os abastados, os donos das Alagoas. No primeiro ele deu muito lucro às empresas. Karafiol frequentava a mais alta roda da cidade, seja em clubes, restaurantes ou alcovas, seu nome era sempre lembrado como cidadão de altos negócios. Um cara que consegue baixar imposto nesse país merece prêmio. Ele amava a vida entre os socialites, gostava também de um carteado, sempre jogava nas rodas particulares, as melhores e bem frequentadas mesas de baralho. Tinha uma compulsão pelo jogo, vício, jogava alto.

         No segundo ano abriu uma empresa de taxi com um amigo alagoano muito conhecido e conceituado, na época era a melhor frota de taxi na cidade. Karafiol, exemplo de empresário e honestidade se dizia alagoano por opção, proclamava aos berros o amor a essa cidade. Um vereador chegou a propor o título de cidadão de Maceió, ganhou o prêmio de empresário do ano, em troca de algum valor ao cronista que organizava esse prêmio. Certo partido político convidou-o a se filiar, teria uma vaga garantida na Assembleia Legislativa, com o apoio dos empresários; ele ficou de pensar, era uma boa oportunidade.

       No final do terceiro ano de consultoria, apareceu uma oportunidade de reduzir custos de imposto adquirindo uma maquinaria especial, diminuindo a mão de obra. Os empresários foram visitados por Karafiol que mostrava como poderia reduzir custos. Ele fez cálculos de redução de impostos, o custo do investimento compensava essa redução. Karafiol foi de empresário em empresário, mas precisava ter uma boa quantidade em dinheiro em mãos para propinas e outros custos costumeiros nas transações em Brasília. Nas suas visitas arrecadou U$ 300 mil de um, U$ 400 mil de outro, mais U$ 200 mil de outro, há quem diga que Karafiol arrecadou em torno de U$ 8 milhões de dólares das empresas alagoanas e pernambucanas. Ele havia comprado 20 Chevrolet OPALA na concessionária, aumentando a frota de taxi de sua empresa, uma mostra que ele estava cada vez mais arraigado à terra.

        Na véspera de ele viajar para Brasília e Rio de Janeiro a fim de resolver o mais alto negócio dos empresários nordestinos, ele compareceu à casa de um amigo para alta jogatina de pôquer. Às três horas da manhã Karafiol havia perdido mais de R$ 20.000,00. Como tinha que embarcar no avião às oito horas, precisava de dinheiro vivo, passou um cheque de R$ 20 mil saldando a dívida do jogo e outro de R$ 10 mil arrecadando o dinheiro que havia na mesa dos parceiros, ele precisava do dinheiro para viajar. Todos aceitaram sorrindo a troca dos dois cheques, ninguém jamais suspeitaria, desconfiaria que os cheques daquele homem extraordinário não tinham fundos.

 Na segunda-feira o dono da casa que bancava o jogo ao depositar o cheque no mesmo banco, teve a triste notícia que não havia fundo para cobrir os cheques, e que Karafiol havia raspado todo dinheiro da conta. Foi um Deus nos acuda. Houve uma reunião urgente dos empresários. Nunca mais Karafiol pisou em Alagoas, aquela noite do jogo, foi a última vez que o viram. Embolsou todo dinheiro, até hoje está desaparecido. Os magnatas alagoanos foram à polícia, contrataram detetives em Maceió, Brasília, Rio e São Paulo, gastaram uma enormidade em passagens e hospedagens, ninguém até hoje conseguiu uma pista sequer, foi o maior golpe até agora dado em dinheiro privado. Corre uma versão que Karafiol fez uma plástica, está irreconhecível. Uns dizem que tem uma grande consultoria prestando serviços no Distrito Federal, outros dizem que se candidatou, gastou uma grana, elegeu-se Deputado Federal por São Paulo, quer dizer, continua no ramo.

     

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