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Dias ensolarados de final de ano

Por Alberto Rostand Lanverly

Outro dia conversando com Jesualdo, contei que fui comprar um saco de carvão no mercado da produção, em Maceió. Espantado com o valor de quarenta e cinco reais, cobrado pelo vendedor, questionei o porquê de tamanho aumento; imediatamente ele respondeu: – a culpa é desse presidente que está dando hum mil e duzentos reais a todo mundo, sem trabalhar. Então os produtos sobem o preço e as pessoas reclamam.

Jesualdo, sempre atento a tal ponderação, para minha surpresa plagiou o pensador e disse: “amigo, as pessoas perdem a saúde para juntar dinheiro, depois o gastam para recuperar a vitalidade e por pensarem ansiosamente no futuro, esquecem o presente de forma a não usufruir nem o hoje e muito menos o amanhã. Respiram como se nunca fossem morrer e padecem como se nunca tivessem vivido.”

E foi mais adiante concluindo: “usufrua o carvão que você comprou; deguste um bom churrasco e aproveite os dias ensolarados desse final de ano.”

Justo Jesualdo que ao longo de 2020, pintou e bordou juntamente com sua sobrinha Germinia, protagonizando loucas e divertidas aventuras, de um momento para outro me levou a pensar na existência.

E imaginando, concluí que nos últimos meses, vimos uma avalanche de empresas sucumbirem, teoricamente por causa da pandemia. Alguns segmentos tiveram mesmo um impacto devastador. Mas muitos, apenas receberam a pá de cal. Já estavam indo mal, estagnados, ou decaindo.

E ao comentar tal raciocínio com Jesualdo ele foi mais além falando: “é bem verdade que muitas pessoas foram acometidas do vírus maldito, chegando a falecer; porém outras nem tanto, e mesmo assim se entregaram ao desânimo.

“Muito se deve”, continuou ele,“ao fato de que tanto empreendedores como seres humanos, teimaram em não acordar, ou não ter coragem de fazer mudanças necessárias quando ainda dava tempo; permaneceram à espera do caos se instalar.”

Então complementei dizendo que realmente isso aconteceu, principalmente quando os circunstantes se acomodaram, em uma perigosa zona de conforto e com o decorrer dos tempos se viram perdidos, fossem eles pessoas ou empresas, passando irremediavelmente a curtir uma doença que muito bem poderia ter sido evitada.

Aproveitei e contei a Jesualdo conhecer dezenas de exemplos, dos que aproveitaram a crise para criar, divulgar, crescer, ao invés de maldizer o cotidiano.

Nesse instante, Jesualdo demonstrou certa pressa, afirmou estar indo encontrar sua sobrinha Germinia, pois viajariam em férias, somente retornando a Maceió, em Janeiro de 2021, quando então dariam notícias, com certeza mirabolantes.

E na despedida falou: “Rostand, ontem à noite aconteceu uma festa de arromba no apartamento de cima de onde moro, não consegui dormir. Hoje logo cedo, ao reclamar com a dona do evento, perguntei se tinha me ouvido bater no teto com um cabo de vassoura. A mulher sorriu interrompendo-o:

– Não teve problema nenhum as pancadas que afirma ter dado! Não se preocupe, nós estávamos fazendo muito barulho mesmo!

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