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Lenda Teddy Riner perde o seu reinado e vê início de novo ciclo

Os Jogos de Tóquio marcam o início de uma nova era no judô. Teddy Riner perdeu o seu reinado e não conseguiu o tricampeonato olímpico no Nippon Budokan. Lenda do esporte, o francês acabou com a medalha de bronze por causa de uma derrota nas quartas de final para o russo Tamerlan Bashaev. O ouro na categoria acima dos 100 kg ficou com o checo Lukas Krpalek.

Apesar da derrota inesperada, Riner já avisou que vai continuar treinando para lutar em casa na próxima edição, nos Jogos de Paris, em 2024. “Vou me preparar para essa disputa e depois disso, fecho o livro”, comentou, numa alusão a encerrar a carreira como esportista. “Quando você chega em uma Olimpíada, é simplesmente incrível. Esta é a razão de você trabalhar todos os dias, a cada minuto.”

Riner ficou incrédulo quando a arbitragem deu a pontuação para o adversário, encerrando a luta. Depois ele teve de voltar ao tatame para buscar um lugar ao pódio e superou o brasileiro Rafael Silva. Na disputa do bronze, o francês ganhou do japonês Hisayoshi Harasawa.

Logo após vencer o judoca local, Riner festejou seu lugar no pódio e fez o número 4 com a mão, numa alusão às quatro medalhas olímpicas que possui: dois bronzes (Pequim-2008 e Tóquio-2020) e dois ouros (Londres-2012 e Rio-2016). Obviamente sua expectativa era ser campeão novamente entre os pesados, mas ele não conseguiu. “Eu estou muito orgulhoso desta quarta medalha.”

“Acredito que todos saibam que os Jogos Olímpicos são difíceis para todo mundo. Então eu não estou desapontado. Estou muito feliz com a caminhada que fiz para chegar até aqui”, continuou o judoca, bastante sorridente e mostrando a todo momento sua medalha de bronze.

O resultado inesperado, diante do favoritismo do francês que é considerado um dos melhores atletas da história na modalidade, coloca em evidência as dificuldades pelas quais o lutador passou nos últimos anos. Sua preparação vinha bem até fevereiro do ano passado, quando ele perdeu uma invencibilidade de 154 combates.

Eram quase dez anos sem derrota, mas ele perdeu para o japonês Kokoro Kageura em fevereiro de 2020. Antes, já vinha se poupando de muitas competições, para não se expor e “esconder” o jogo. Mas o revés foi um duro golpe. Depois, em fevereiro deste ano, Riner sofreu uma lesão no joelho esquerdo que quase o tirou dos Jogos de Tóquio. “Foi um período difícil, mas estar na Olimpíada é o sonho de todo atleta”, afirmou.

O bronze no Japão também evitou que Riner igualasse a façanha do japonês Tadahiro Nomura, único tricampeão olímpico da história (Atlanta-1996, Sydney-2000 e Atenas-2004). O próprio judoca francês confessou que já tinha conversado repetidas vezes com Nomura sobre essa pressão em cima de obter o terceiro ouro olímpico.

BIÓTIPO – O resultado da categoria acima de 100 kg evidenciou algo que o próprio Riner ajudou a mudar. Se antes os atletas eram muito pesados, agora a tendência é que sejam mais fortes e atléticos. É comum ver lutas entre esses gigantes que se arrastam e os atletas demonstram enorme cansaço.

Riner mudou o panorama ao mostrar que o judoca, mesmo entre os pesados, precisa ter velocidade e isso ficou mais claro ainda com o título olímpico de Krpalek, que foi ouro nos Jogos do Rio, em 2016, na categoria inferior, até 100 kg. “Não foi fácil chegar até aqui, mas estou muito feliz com essa medalha no meu pescoço”, afirmou o judoca da República Checa.

Com 1,98m de altura, o judoca pesa 113 kg, ao contrário de muitos dos seus adversários que pesam mais e são mais baixos. Isso dá a ele uma vantagem na velocidade dos golpes e no ritmo que consegue impor à luta. A vitória de Krpalek mostra uma evolução da categoria que tem cada vez menos espaço para judocas lentos e muito pesados.

Autor: Paulo Favero
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