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Museu Delmiro Gouveia reabre para visitação e retorna a expor importante acervo da história do pioneiro

Por Veruscka Alcântara

O prédio amarelo da antiga estação de trem da Vila Pedra resguarda a história do pioneiro, o industrial Delmiro Augusto da Cruz Gouveia, abrigando o Museu Regional. No local, a imponente locomotiva chama atenção pela sua beleza e desperta o imaginário do visitante ao saber que fez parte do projeto de expansão das linhas férreas do Brasil, pelo Imperador Dom Pedro II.

Apesar de ser um dos pontos turísticos do município, o Museu Regional encontrava-se fechado há anos e nesta quarta-feira (11), reabriu suas portas para visitação. A construção, datada de 1882, faz parte do projeto de reestruturação do conjunto patrimonial do Grupo Carlos Lyra, que adquiriu o Museu desde 1992, juntamente com a Fábrica da Pedra.

Em solenidade realizada com a presença dos representantes do grupo Carlos Lyra, autoridades políticas e o trade turístico, a reabertura do Museu Regional de Delmiro Gouveia consolida a preservação e valorização da cultura e da história. “A reabertura do Museu de Delmiro Gouveia é a consolidação da história do município e do próprio Grupo Carlos Lyra. Para mim é uma alegria saber que será mais uma ferramenta para a preservação do legado do home que revolucionou o sertão nordestino”, diz a neta do empresário Carlos Lyra, Juliana Almeida que representou a família.

O professor e historiador, Edvaldo Nascimento, falou sobre a emoção de ver o equipamento reaberto. “O Museu Regional de Delmiro Gouveia é um patrimônio imensurável na história da cidade e do homem Delmiro. As peças que aqui se encontram são também uma aula de conhecimento, servindo para os delmirenses e visitantes conhecerem e se orgulharem do que foi construído pelo pioneiro. Somente com equipamentos como esse poderemos passar para as futuras gerações as nossas raízes”, fala.  Edvaldo, pesquisador sobre o pioneiro, foi um dos primeiros a estar à frente da preservação dessa história, ainda em 1992, contribuindo para a junção do acervo que atualmente encontra-se no local.

“Hoje é um marco para o nosso município e estou muito feliz em estar prefeita e poder ter de volta para visitação esse prédio tão belo e tão rico culturalmente. Parabéns ao Grupo Carlos Lyra por reabrir as portas do Museu Regional de Delmiro Gouveia e dar a oportunidade dos visitantes conhecerem a nossa história de forma tão bonita”, enfatizou a prefeita Ziane Costa.

O Museu Regional de Delmiro Gouveia será aberto de terça a domingo, das 14h às 20h, tendo como público alvo as instituições de ensino e trade turístico. “Serão realizados cafés filosóficos, rodas de leitura, contações de história, palestras, entre outras atividades que movimentem esse espaço. A partir de hoje traçamos mais uma história desse Museu”, diz o diretor Jorge Cavalcanti. Ele reforça que serão realizados outros investimentos, a exemplo da tecnologia, para a interação do público em especial os mais jovens.

O local conta anda com um foodtruck da cervejaria Maria Bonita, área de alimentação, quiosque para souvenirs, entre outros atrativos. A revitalização do Museu faz parte do processo de reestruturação, e novos empreendimentos do Grupo Carlos Lyra, como o Shopping da Villa ressignificando a economia da região. Nesse novo contexto de empreendimentos ainda passa por recuperação a Casa de Delmiro Gouveia.

A solenidade de abertura ainda contou com a presença do Deputado Federal Paulão; o Deputado Estadual Ronaldo Medeiros; prefeitos e secretários da região e populares.

História

Um dos principais museus do sertão alagoano – O Museu Regional Delmiro Gouveia – foi inaugurado em fevereiro de 1989, por iniciativa da Fundação Ormeu Junqueira Botelho, na estação de trem da Pedra. A ideia de recuperar a estação ferroviária, um dos ramais da linha férrea Paulo Afonso, que saía do município de Piranhas, em Alagoas, com destino a Jatobá, Pernambuco, foi do empresário Ivan Muller Botelho, então proprietário da Multifabril Mercantil, razão social da Fábrica da Pedra na época.

A estrada de Ferro Paulo Afonso foi construída por ordem do Imperador Dom Pedro II, após este viajar pelo rio São Francisco e visitar a cachoeira de Paulo Afonso, em 1859. A intenção do Imperador era com a linha férrea ligar por ferrovia o Baixo e o Alto São Francisco, de Piranhas, a Jatobá, atual município de Petrolândia. Na sua construção, a contratação da mão de obra sertaneja atenuava as consequências de secas que levavam a fome e morte milhares de sertanejos.

De certa forma, a estrada de ferro Paulo Afonso integrou um projeto de expansão de linhas férreas no Brasil implementado pelo Imperador Dom Pedro II. Nesse aspecto, estava em execução o projeto de integrar regiões e contribuir com o desenvolvimento regional, transportando pessoas e mercadorias. A importância das linhas férreas no Brasil fizeram deste tipo de transporte um importante meio comunicação, principalmente em regiões isoladas, sendo fundamentais para tirar do isolamento os sertões do Nordeste.

A estação da Pedra, inaugurada em 10 de julho de 1882, ficava no km 54,4 partindo de Piranhas, numa altitude 245 metros acima no nível do mar. Foi aberta para o público em toda sua extensão em agosto de 1882. A linha férrea era composta pelas estações de Piranhas, Olho D´água, Talhado, Pedra, Sinimbú, Moxotó, Quixaba e Jatobá, totalizando 115 km. A ferrovia foi desativada em 08 de junho de 1964, com justificativa de ser deficitária. A partir desse decreto houve a venda de trilhos, grampos e máquinas como sucata. As estações permaneceram durante décadas em estado de abandono, a exemplo da estação da Pedra, até que foram recuperadas por iniciativa pública ou privada, como é o caso das estações de Piranhas, Olho D’Água, Pedra e Moxotó, que foram recuperadas transformadas em museus ou centros receptivos de turistas e  importantes equipamentos da memória regional.


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