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Viveiro de mudas une preservação, educação e empreendedorismo em assentamento alagoano

Por Assessoria

Um viveiro de mudas está criando uma nova rotina na vida de crianças e jovens do assentamento Santa Cruz do Riachão, no município alagoano de Matriz de Camaragibe, a 79 quilômetros de Maceió. Técnicos agropecuários e assentados se uniram para montar o Viveiro Plantando Sombras. Experiência que une preservação ambiental, educação e empreendedorismo.

O projeto é realizado desde fevereiro deste ano por técnicos da Secretaria de Agricultura do município em parceria com a associação de assentados. Pais e mães incentivam a participação e acompanham as mudanças visíveis no dia a dia dos filhos. Os assentados já veem suas nascentes protegidas com o plantio de árvores adequadas.

Edilson Mendes, técnico em agropecuária, coordena a equipe da prefeitura. Ele já trabalhou em convênios de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater) do Incra nessa região do Litoral Norte do estado. Com essa experiência, foi convidado para trabalhar na secretaria.

São 26 crianças e jovens participantes do projeto. Eles estudam e dedicam algumas horas da semana para o trabalho no viveiro. “Reunimos com eles nas quartas-feiras, e fazemos um trabalho de educação ambiental, repasse de conhecimentos técnicos e empreendedorismo”, explica o técnico.

Lucas Mendonça da Silva tem 28 anos e seus pais são assentados há sete. No lote, eles plantam batata, macaxeira, inhame, feijão, milho, laranja, maracujá, e também têm criação de galinha, porco e gado bovino. Além de aprenderem as técnicas agrícolas, suas atividades práticas trazem benefícios para sua família.

“A cacimba da nossa parcela recebeu um plantio de árvores feito com as mudas do viveiro”, conta o jovem estudante. “Já estamos fazendo o mesmo em nascentes de outros lotes”, lembra Lucas.

REFLORESTAMENTO

Esse trabalho de conservação e reflorestamento das áreas de nascentes é mais uma atividade do Plantando Sombras com resultados diretos para os assentados. Os técnicos fizeram um diagnóstico para identificar as áreas de nascentes para recuperação.

“Pegamos as mudas do viveiro junto com os jovens, cercamos as nascentes e plantamos mudas de ingá e outras árvores para proteção de suas margens”, lembra o coordenador Mendes.

“No viveiro, a gente faz a limpeza, enche sacos, planta as mudas, faz a irrigação e aprende muitas coisas novas e interessantes, sem nunca ser cansativo”, narra uma colega do Lucas, Jaciara da Silva Santos, de 25 anos. Ela e a mãe, Zenita, vivem no lote há 20 anos.

Lucas ainda ajuda a transportar o pessoal de sua agrovila para a vizinha, onde foi montado o viveiro. Para ele, é muito importante conciliar os estudos com o trabalho no viveiro. “Eu posso dizer que o jovem daqui tem prazer em ir pro viveiro, porque hoje, em vez de caçar, a gente aprende a preservar o meio ambiente.”

Como os pais de Jaciara e Lucas, as famílias do assentamento estão entusiasmadas com o projeto. Umas das finalidades do viveiro é gerar ocupação para os filhos dos assentados da comunidade rural.

Edilson Mendes destaca que os pais têm uma avaliação positiva do projeto. “Eles dizem que os meninos gostam de estar lá, e nós orientamos para um clima de harmonia na família, para evitar o ócio e as drogas, assumir bom comportamento na comunidade e manter os estudos”.

RETORNO FINANCEIRO

E o viveiro também traz retornos econômicos para esses jovens e suas famílias. Após oito meses de atividades, eles já vendem mudas para outros assentamentos da região. “Foram vendidas recentemente 2 mil mudas de maracujá, e o arrecadado foi dividido para melhorias no viveiro e para os participantes e suas famílias”.

As mudas cultivadas no viveiro abrangem as frutíferas, as nativas e as ornamentais. São cultivadas manga, jaca, acerola, abacate, açaí, ingá, jambo, pitomba, jabuticaba e maracujá.

Além da Secretaria de Agricultura, o Sindicato da Agricultura Familiar de Matriz também contribui com o projeto, por meio de palestras e cursos de formação. Outro parceiro destacado pelos técnicos é a associação de assentados de Santa Cruz do Riachão.

O presidente da Associação dos Trabalhadores Rurais do Assentamento Santa Cruz, Sandro Calheiros da Rocha, apoia o projeto e avalia que a iniciativa desperta na juventude o interesse em permanecer no campo. “Com todas essas técnicas, que envolvem o cultivo, os enxertos, a preservação, os jovens aprendem a cuidar daquilo que vai ser seu no futuro.”

O líder dos assentados lembra que essa foi uma oportunidade que os mais velhos não tiveram. E destaca a importância de manter os jovens engajados em tarefas importantes para ele e sua família. “Com a ocupação no viveiro, evitamos que os jovens não fiquem desocupados e não se envolvam em situações erradas, que podem trazer problemas para eles e as famílias.”

FOMENTO MULHER

As 96 famílias do assentamento já foram contempladas com créditos disponibilizados pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Cerca de 1 milhão de reais foram repassados às famílias através do Crédito Instalação, nas modalidades Apoio Inicial, Construção e Reforma Habitacional.

No momento, as famílias estão recebendo o Fomento Mulher, uma modalidade do Crédito Instalação específica para mulheres da reforma agrária. No valor de R$ 5 mil, o crédito apoia projetos de segurança alimentar e nutricional. O Incra está liberando R$ 185 mil para 37 mulheres de Santa Cruz.

Pela experiência na região e com o tipo de público, Edilson Mendes tem auxiliado os técnicos do Incra no acompanhamento da aplicação do Fomento Mulher. “Ajudo na fiscalização, na orientação para que mantenham o pagamento em dia, facilitando o acesso aos boletos; e isso tudo traz mais benefícios para a comunidade.”

Sandro Calheiros explica que o crédito já está sendo aplicado e gerando renda. “Algumas mulheres investiram em lavoura, outras adquiriram animais para a criação, e isso traz um reforço ao sustento da família.”

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