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Um sonho impossível

Por Arnaldo Niskier

Tive na vida alguns amigos inesquecíveis. Um deles foi o judeu gaúcho Luiz Rosemberg, que no Rio fundou a agência de notícias Apla. Era fornecedora de serviços jornalísticos para Bloch Editores e se tornou um amigo inseparável dos que tinham funções de mando em nossa empresa. Quando ele nos visitava era sempre um momento extremamente agradável, pois poderia resultar na aquisição de matérias de primeira qualidade ou até furos de reportagem. Ele também fornecia material para as demais revistas da casa, como até fotonovelas para “Sétimo Céu”, da qual eu era diretor.

Um dia, fui surpreendido com o convite para visitar em Madrid a Editora Bruguera, uma das mais importantes da Europa. Era para um estágio, o que aceitei de imediato. Fiquei uma semana na capital espanhola, com um frio de rachar. Mas valeu a pena pelo aprendizado e os contatos realizados. Conheci todo o comando da empresa e os seus planos editoriais. Era uma época em que vicejavam os bolsilivros, moda que também chegou com força ao Brasil. Criada a Editora Bruguera em nosso país, pela ação do Luiz Rosemberg e do seu sócio Luiz Hortal, acompanhamos a sua expansão. Cheguei a traduzir para o português a biografia de Sofia Loren, que fez muito sucesso.

Voltando à viagem, devo confessar que lá pelas tantas cheguei à conclusão de que estava sendo testado para, quem sabe, apesar da minha pouca idade, dirigir a empresa Bruguera em nosso país. Tive contato com diretores e editores, conhecendo pormenores da sua vida. Mas havia nisso tudo um tremendo obstáculo. Eu era diretor em Bloch Editores, ganhava um bom salário, e na verdade não estava disposto a fazer nenhuma aventura, que pudesse colocar em risco a minha estabilidade como chefe de reportagem da revista Manchete. Viajei para Madrid no período de férias a que tinha direito e não estava disposto a passar desse ponto. Disse tudo isso, na volta, ao Rosemberg. Como meu amigo, ele compreendeu perfeitamente a situação.

Tornei-me então, um bom colaborador da Bruguera no Rio de Janeiro. Assim, o que aprendi na Espanha não foi desperdiçado. Tomei amor pelo trabalho editorial, em que me especializei. E jamais esqueci o carinho e o respeito com que fui tratado, sempre, pelo amigo Rosemberg.

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