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Alagoas realiza o terceiro transplante de fígado

Por Bia Alexandrino

Transplante ocorreu na Santa Casa de Maceió e receptor passa bem. FOTO: Divulgação

Depois de oito horas de cirurgia bem sucedida, na Santa Casa de Maceió,, um adolescente de apenas 16 anos, residente na capital alagoana, recebeu, a tarde de quinta-feira (2), um fígado captado no estado da Paraíba. Esse é o terceiro transplante de fígado realizado em Alagoas desde o credenciamento do Estado para realização desse tipo de procedimento, em abril de 2020.

Órgão foi captado na Paraíba e trazido para Alagoas em avião da FAB. FOTO: Divulgação

O paciente sofria de cirrose criptogênica, termo usado para cirrose de etiologia desconhecida. Atualmente, ele encontra-se na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), foi extubado e o fígado está fluindo bem. O doador era um jovem de 21 anos de idade, vítima de um acidente na Paraíba. A cirurgia de alta complexidade, financiada pelo Sistema Único de Saúde (SUS), terminou sem intercorrências e foi coordenada pelo médico Oscar Ferro, que atuou com os médicos Fábio Mourão, Felipe Augusto, Leonardo Soltinho, Amanda Lyra, Larissa Borges, Cira Queiroz, além da equipe da UTI e da Enfermagem.

O paciente se inscreveu na lista de transplantes no dia 5 de julho deste ano e quase cinco meses depois conseguiu realizar o procedimento na Santa Casa de Maceió, hospital credenciado pelo Ministério da Saúde (MS). A lista de transplantes é única, tem ordem cronológica de inscrição e os receptores são selecionados para receber os órgãos em função da gravidade ou compatibilidade sanguínea e genética com o doador.

A coordenadora da Central de Transplantes de Alagoas, Daniela Ramos, fez um agradecimento. “Nós estamos muito felizes e agradecidos a Deus e à família doadora por esse momento ter se concretizado. Há também um sentimento de muita gratidão por todos os profissionais que se envolvem nesse processo. E tudo isso foi possível graças à união de vários esforços e sempre com o apoio do nosso gestor maior, que é o nosso secretário de Saúde, Alexandre Ayres”, ressaltou.

Daniela Ramos explicou um pouco sobre a captação do órgão, que deve ser feita de maneira muito ágil. “Nós aqui da Central de Transplantes do Estado somos responsáveis por organizar e agilizar toda essa logística junto à Coordenação Nacional de Transplantes do Ministério da Saúde. Tivemos a parceria da FAB [Força Aérea Brasileira] que veio aqui no nosso Estado e que levou a nossa equipe de captação. Nós temos uma equipe de captação à disposição. Então, sempre que há uma doação autorizada, essa equipe está disponível para realizar essa captação. E, dessa vez, foi uma captação fora do Estado”, relatou.

O secretário de Estado da Saúde, Alexandre Ayres, comemorou, na manhã dessa quinta-feira (2), o início da cirurgia e pediu orações para o paciente. “Estamos realizando o 3º transplante de fígado da história de Alagoas, todos este ano! Desta vez, o paciente tem somente 16 anos e vinha sofrendo muito com problemas hepáticos. A nossa equipe de profissionais, em parceria com a Santa Casa de Maceió, está lutando pela vida dele”, disse Ayres, acrescentando que, “graças a Alagoas ter sido habilitado para a realização do transplante de fígado, os alagoanos não precisam mais se deslocar para outros estados em busca do procedimento”, salientou.

Transplante de Órgãos – O doador vivo pode doar um rim, medula óssea, parte do fígado (em torno de 70%) e parte do pulmão (em situações excepcionais). Já um único doador falecido pode salvar mais de oito vidas, podendo doar coração, pulmão, fígado, os rins, pâncreas, córneas, intestino, pele, ossos e válvulas cardíacas.

No Brasil, para doar um órgão basta comunicar à família sobre o desejo de ser doador para que a família possa autorizar posteriormente. Mas a recusa familiar ainda é alta e se torna um dos principais motivos para que um órgão no Brasil não seja doado: mais de 43% das famílias recusaram a doação de órgãos de seus parentes após morte encefálica comprovada, em 2020, segundo dados da ABTO. Em Alagoas esse número está em 40%.

Importante ressaltar que, no Brasil, anualmente, em média, 12 mil pessoas apresentam morte cerebral, um dos critérios para a doação de órgãos. Desse número, aproximadamente 6 mil pessoas poderiam ser doadoras de órgãos. Por outro lado, em média 23.800 pessoas têm a necessidade de receber um transplante a cada ano. Portanto, a chance de que alguém seja doador de órgãos é quatro vezes menor do que a chance de que venha a precisar de um transplante.

Segundo o Ministério da Saúde (MS) do total de transplantes realizados no País, 96% são feitos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Orientações sobre transplante de órgãos

– No Brasil, para ser um potencial doador de órgãos, basta comunicar a família sobre o desejo, não sendo mais obrigatório deixar isso registrado na Carteira de Identidade.

– Para ser realizado o transplante de órgãos, além da autorização familiar, precisa ser constatada a morte encefálica do doador, que é a parada irreversível da função do encéfalo, ou seja, é quando o cérebro para de funcionar. A morte cerebral permite a doação de órgãos e tecidos, mas a morte cardíaca, só a doação de tecidos.

– Qualquer pessoa pode ser doadora, exceto os portadores de doenças infecciosas ativas ou de câncer. E a doação não desfigura o corpo do doador.

– Para doadores vivos, o doador deve ter mais de 18 anos de idade e o receptor deve ser cônjuge ou parente consanguíneo até quarto grau (pais, filhos, irmãos, avós, tios ou primos). Se não houver parentesco, será preciso autorização judicial.

– A doação de órgãos e tecidos não acarreta nenhum custo ou ganho material à família do doador nem do receptor.

 

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