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Conservador supera ex-guerrilheiro em voto de zonas rurais da Colômbia

O populista de direita Rodolfo Hernández surpreendeu os rivais no primeiro turno na Colômbia graças, em parte, ao crescimento na zona rural. Agora, conta com apoio do campo contra o ex-guerrilheiro Gustavo Petro, favorito nos centros urbanos, para se tornar presidente em uma disputa equilibrada no segundo turno de domingo.
No Departamento de Boyacá, onde 51,6% dos eleitores escolheram Hernández no primeiro turno, os produtores rurais têm dois argumentos consolidados contra Petro. O primeiro é o temor de que ele implemente uma reforma agrária que os afete. O segundo é seu passado de guerrilheiro.

Nos anos 80, o ex-prefeito de Bogotá militou no M-19, um dos muitos grupos armados em ação durante o conflito colombiano. As principais regiões agrícolas da Colômbia são, em linhas gerais, as mesmas onde as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) atuavam antes do acordo de paz de 2016.

“Se Petro ganhar, a coisa ficará muito complicada. Ele tem argumentos de guerrilheiro e não nos interessa”, disse o produtor Dom Tito. Sua opinião é a mesma de outros proprietários de terras da cidade de Ventaquemada, no Departamento de Boyacá, no centro da Colômbia.

Reforma

O medo de que Petro faça uma reforma agrária é comum entre produtores rurais como Andrés Bautista, agricultor de 35 anos. “Temo que Petro nos tire as terras”, disse. O analista econômico Mario Valencia explica que o receio é maior entre os agricultores com mais representação sindical – os médios e grandes. “Eles estão com Hernández”, afirmou.

Na terça-feira, Petro fez um pronunciamento em suas redes sociais tentando afastar os temores de reforma agrária. Ele listou cinco pontos mais alinhados ao centro que pretende adotar caso seja eleito, entre eles o respeito à propriedade privada e austeridade econômica. “Nunca pensei em confiscar o menosprezar o direito à propriedade privada”, declarou o candidato. “Não chegarei ao governo para buscar vingança pessoal.” Parte dos camponeses associa a esquerda e Petro aos crimes da guerrilha, que por décadas extorquiu e executou famílias, expulsou agricultores de pequenas propriedades e recrutou à força jovens sequestrados no campo.

O discurso anticorrupção de Hernández, com seu lema “não roubar, não mentir e não trair”, também faz sucesso numa região onde a imagem da classe política está desgastada. “Ele é um candidato independente, que não vai roubar. Vivemos num país cheio de corruptos”, afirma Bautista.

Apoio

Segundo a última pesquisa do instituto Invamer, 54,3% dos eleitores na zona rural votarão em Hernández, ante 39,4% de Petro. No cenário nacional, o direitista tem 48,2% e Petro, 47,2%.

Em Ventaquemada, no local onde as cenouras são lavadas e embaladas para distribuição, alguns produtores separam cartazes de Hernández e distribuem entre os carros. “Aqui, o fundamental é o agronegócio. Quero liberdade de escolher meu candidato. E meu apoio incondicional é de Rodolfo”, disse Román Moreno, produtor de 51 anos.

Impulsionada pela produção de tubérculos, principalmente batatas, a região não foi tão afetada pela pandemia e, segundo os produtores, não sentiu a escassez de alimentos. “O que a gente não tem aqui, como arroz, substituímos por batatas. Então, sobrevivemos à pandemia sem problema de fome”, afirma Luis Emilio Díaz, assessor da campanha de Hernández.

O analista político Yann Bassett, no entanto, chama a atenção para o fato de o eleitorado rural não ser monolítico. “O voto rural não necessariamente se divide pela questão de classes. É mais por razões culturais e geográficas.” Isso explica porque algumas regiões rurais da costa, como os Estados de Cauca, Vale de Cauca e Nariño, deram a vitória a Petro no primeiro turno. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Autor: Fernanda Simas, enviada especial
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