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A memória cultural palmeirense está sendo apagada

Hoje é o dia do aniversário de Graciliano Ramos. São 128 anos distantes daquele 27 de outubro em Quebrangulo.

O nômade por necessidade – de Quebrangulo passou por Buíque, Viçosa, Maceió até chegar em Palmeira dos Índios é um dos mais aclamados escritores do mundo, com obras memoráveis como Vidas Secas, Angústia e uma das minhas preferidas Caetés – que tem como cenário a minha Palmeira dos Índios.

Mas Graciliano se notabilizou – além do talento nato na escrita – por ter exercido o mandato de prefeito de Palmeira. Foi na prefeitura que ocupou por dois anos, que Graciliano para prestar contas de sua gestão – escreveu um relatório com as receitas e despesas do Município e não se corrompeu.

O estilo de seu texto chamou a atenção do editor Augusto Schmidt que descobriu ali um gênio literário. O restante da história todos conhecem. Foi preso em Alagoas por colocar em prática na Educação do Estado ideias avançadas e por isso perseguido. Já no Rio de Janeiro, após a terrível experiência do cárcere e célebre por suas obras se filiou ao Partido Comunista. Graciliano faleceu aos 60 anos, sem nunca mais ter voltado a Alagoas.

Em 1973, exatos 20 anos depois de sua morte, foi concebida e criada em Palmeira dos Índios a Casa de Graciliano Ramos. Um Museu que é referência pelo simbolismo – nos quatro cantos do mundo.

Quando os estudiosos buscam hoje pelo legado de Graciliano, Palmeira dos Índios é a maior lembrança e a Casa onde morou o Prefeito-escritor sua maior referência.

Berço de tantos outros escritores e fazedores de cultura que varam fronteiras, Palmeira dos Índios orgulhava-se de poder oferecer aos turistas e visitantes a Casa de Graciliano Ramos com as portas abertas.

Há 3 anos a cidade viu as portas da Casa do escritor fecharem e nunca mais abrirem.

O descaso com a cultura foi gritante nessa gestão. Por sugestão minha (como tantas outras no início dessa gestão) – no primeiro ano de mandato – foi realizada a feira literária e mesmo assim de forma acanhada.

A cultura e as letras nunca foram o forte, de quem só sabe soletrar uma palavra: lero.

A juventude e produtores culturais – após muita pressão e por estar num período eleitoral conseguiram a criação do Fundo de Cultura à reboque da Lei Aldir Blanc.

A capital da cultura virou cinzas, porque Cultura para essa gestão é apenas meia dúzia de batedores de tambor em praça pública com cantores – às vezes de gosto duvidoso – pagos para gritar o nome do chefe do executivo municipal.

Talvez, para fugir de tipos assim, que Graciliano não mais voltou a Palmeira dos Índios e que daqui só tivesse saudades das pinhas, que também estão virando artigos raros por estas plagas.

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