HGE inaugura a primeira UTI exclusiva para adolescentes em Alagoas com 10 leitos
Unidade pioneira atende jovens de 13 a 17 anos com equipe multidisciplinar e estrutura adaptada
O Hospital Geral do Estado (HGE), em Maceió, se destaca mais uma vez ao inaugurar a primeira Unidade de Terapia Intensiva (UTI) exclusiva para adolescentes em Alagoas. Desde janeiro de 2026, jovens entre 13 e 17 anos contam com uma área dedicada a tratamentos intensivos multidisciplinares, fruto da iniciativa da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) para aprimorar o atendimento a esse público.
Com 10 leitos, a UTI Adolescente já está em funcionamento e conta com uma equipe formada por dez médicos – sete clínicos e três pediatras especializados –, além de profissionais de Enfermagem, Nutrição, Fonoaudiologia, Terapia Ocupacional, Fisioterapia, Serviço Social, Psicologia, farmacêuticos e outras especialidades médicas.
Segundo o diretor médico Miquéias Damasceno, a implantação da unidade reflete o entendimento de que a adolescência é marcada por uma transição fisiológica e comportamental única, diferente das fases da infância e da vida adulta. “O objetivo é responder às necessidades clínicas, psicológicas, de desenvolvimento e de segurança do paciente adolescente, que nem sempre são plenamente atendidas em UTIs pediátricas ou adultas”, afirma.
As principais causas de internação de adolescentes em UTIs envolvem tanto doenças comuns na infância, como problemas respiratórios, quanto condições típicas da fase adulta, como intoxicações e traumas complexos. Esse perfil diversificado exige uma abordagem que una a expertise pediátrica e adulta, com atenção às especificidades clínicas e comportamentais dessa faixa etária.
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“Estudos epidemiológicos no Brasil mostram que o trauma é a principal causa de internação em UTIs de adolescentes, seguido por intoxicações por drogas ou álcool, além de disfunções respiratórias e neurológicas. Os adolescentes internados apresentam necessidades que variam conforme o desenvolvimento físico e emocional, incluindo comportamentos de risco e aspectos psicossociais”, acrescenta Damasceno.
Um dos primeiros beneficiados pela nova unidade é Edson Victor Santos Firmino, de 17 anos. Após sofrer uma queda de bicicleta e bater a cabeça, ele foi levado à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Chã da Jaqueira, onde teve uma parada cardiorrespiratória. Transferido pelo Samu para o HGE, Edson foi acolhido na Área Vermelha e, em seguida, encaminhado à UTI Adolescente. “Eu nem sabia que existia um lugar assim”, relata o jovem.
Durante o período de internação, a mãe de Edson, Edvânia Santos da Silva, acompanhou de perto o cuidado prestado ao filho. “Fiquei muito impressionada com a organização, a atenção dos profissionais e a tecnologia disponível. Tenho certeza de que essa fase difícil vai passar e voltaremos para casa com a saúde do meu filho recuperada”, afirma Edvânia, que é cozinheira e mora com os filhos na Chã da Jaqueira.
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A criação da UTI Adolescente traz benefícios como a organização do fluxo de cuidados, redução de disparidades no atendimento, protocolos adaptados à adolescência – o que diminui riscos de complicações e falhas de comunicação – e maior eficiência na gestão dos recursos, ao direcionar os casos para o tipo de cuidado mais adequado.