LUPA NO FUNDEF

MPAL investiga uso de verba dos professores para pagar advogados em Chã Preta

Promotor Gustavo Arns converte apuração em inquérito civil para aprofundar suspeitas de irregularidades no uso de recursos vinculados ao magistério

Por Redação com agências Publicado em 03/03/2026 às 09:48
Ministério Público de Alagoas (MPAL) Arquivo

O promotor de Justiça Gustavo Arns da Silva Vasconcelos oficializou nesta terça-feira (3) a abertura de um inquérito civil contra o Município de Chã Preta. O foco é a possível utilização irregular de recursos do Fundef (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério) para o pagamento de honorários advocatícios.

Por que esta investigação é crucial?


O Fundef (e seu sucessor, o Fundeb) possui o que chamamos de "vinculação constitucional". Isso significa que o dinheiro já nasce com um destino certo.

A Regra: Pelo menos 60% (no antigo Fundef) ou 70% (no novo Fundeb) deve ir para o pagamento dos profissionais da educação. O restante deve ser usado em manutenção e desenvolvimento do ensino.

A Suspeita: O uso desses valores para pagar advogados contratados pela prefeitura é considerado, por tribunais de contas e pelo próprio STF, uma prática irregular que desvia o dinheiro do seu propósito original: a sala de aula.

O Caminho do Inquérito


Ao converter a "Notícia de Fato" (fase embrionária) em Inquérito Civil, o Ministério Público ganha "dentes":

Poder de Requisição: O promotor pode exigir extratos bancários detalhados da conta do Fundef do município.

Perícia Técnica: Contadores do MPAL podem analisar se houve o empenho e pagamento de honorários com fontes de recurso proibidas.

Responsabilização: Se comprovada a irregularidade, o prefeito e os gestores envolvidos podem responder por Improbidade Administrativa, enfrentar multas pesadas e até a perda do cargo, além da obrigação de devolver o dinheiro à conta da educação.