Incoerência: pesquisa FALPE restrita à Grande Maceió vira propaganda política para governo do Estado
Levantamento se limita à Grande Maceió e revela indecisão recorde: 82% não opinam para governador e 93% para o Senado
MACEIÓ/AL— A pesquisa do Instituto Falpe divulgada recentemente e repercutida com entusiasmo por páginas e veículos simpáticos à gestão do prefeito de Maceió, JHC, virou combustível de pré-campanha — mas, para o jornalista Kléverson Levy, há um “detalhe” decisivo que vem sendo empurrado para debaixo do tapete: o levantamento se restringe à Região Metropolitana de Maceió, o que impede que o resultado seja tratado como retrato fiel do estado inteiro.
Na avaliação publicada por Levy, o foco excessivo em “quem aparece na frente” ignora o que, de fato, salta aos olhos nos dados: a indecisão massiva do eleitorado pesquisado, sobretudo nas perguntas espontâneas. No recorte apresentado, os percentuais de “não opinaram” chegam a patamares muito altos — 82% para governador, 93% para senador, além de índices elevados também para deputado federal e estadual.
O ponto central: recorte metropolitano não é Alagoas
O argumento de Kléverson Levy é direto: quando a amostra é metropolitana, há uma tendência natural de favorecer nomes com maior presença administrativa e midiática na capital — especialmente o prefeito em exercício. Isso não torna a pesquisa “inútil”, mas limita severamente as conclusões.
A própria repercussão pública mostra o risco do “efeito-manada”: manchetes destacam liderança de JHC na Grande Maceió e apresentam o número como se fosse vantagem consolidada, embora o próprio debate político local reconheça que o interior costuma redefinir o jogo, especialmente quando o grupo governista estadual entra em campo com sua capilaridade.
Em outras palavras, para Levy, há uma tentativa de “incutir” no cidadão uma vantagem que pode não existir fora do eixo Maceió–adjacências — e que tende a ser relativizada ou até invertida quando a disputa se desloca para o interior, onde pesam estrutura de alianças, lideranças regionais, prefeitos, bases partidárias e o histórico de votação estadual.
Indecisão recorde e disputa ainda sem “dono”
Outro aspecto reforçado no texto é que a eleição de 2026, no estágio atual, não apresenta um vencedor claro. Mesmo com 1.200 entrevistas e margem de erro divulgada de 2,82 pontos percentuais, o que predomina é um eleitorado ainda “solto”, sem compromisso definido com nomes específicos — cenário que costuma anteceder meses de intensa movimentação: desincompatibilizações, costuras partidárias e as convenções que, em Alagoas, frequentemente alteram o tabuleiro.
O levantamento está registrado no TSE sob o número AL-05611/2026, informação também citada no texto e repetida por veículos que repercutiram os dados.
“Quem comemora agora pode se frustrar depois”
O subtexto da análise de Kléverson Levy é um alerta: comemorar pesquisa metropolitana como se fosse estadual pode produzir duas distorções ao mesmo tempo:
Criar uma sensação artificial de “vitória encaminhada”;
Desmobilizar ou irritar o eleitorado fora da capital — justamente o segmento que, historicamente, tem força para equilibrar ou virar disputas em Alagoas.
E há um elemento adicional: quando a pesquisa aponta altíssima taxa de indecisos, o “primeiro lugar” pode estar, na prática, assentado sobre um terreno ainda instável, sujeito a deslocamentos rápidos assim que as chapas forem definidas e a campanha ganhar corpo.
O que fica, por ora
No resumo: a leitura de Kléverson Levy sustenta que a pesquisa Falpe pode até iluminar tendências na Grande Maceió, mas não autoriza, por si só, conclusões sobre o estado inteiro — e menos ainda a narrativa de que alguém “disparou” rumo a 2026.
Em ano pré-eleitoral, o dado mais relevante talvez não seja quem aparece melhor no recorte metropolitano, e sim o tamanho do contingente que ainda responde com silêncio: o eleitor que não escolheu, não rejeitou e ainda não entrou de verdade no jogo.