Diretor do DataSensus critica pesquisa Falpe restrita à Grande Maceió e fala em “desinformação”
Em vídeo nas redes, Eugênio Albuquerque afirma que levantamento regional não pode ser tratado como fotografia estadual e cobra providências da Justiça e dos veículos de comunicação
O diretor do Instituto DataSensus, Eugênio Albuquerque, publicou um depoimento nas redes sociais criticando a divulgação de uma pesquisa do Instituto Falpe realizada apenas na Região Metropolitana de Maceió e que vem sendo usada no debate político como se refletisse o cenário de todo o estado para as eleições de 2026.
No vídeo, Eugênio faz uma comparação para sustentar o argumento: “Você acha justo fazer uma pesquisa nacional só no Nordeste?”, questiona, defendendo que recortes regionais, quando apresentados como resultado amplo, induzem a interpretações equivocadas.
Segundo ele, uma eleição para governador e senador é estadual, portanto pesquisas divulgadas ao público deveriam trazer números do estado inteiro — e não apenas de um agrupamento municipal. “A campanha é estadual. E você divulgar números de região, divulgue do Estado”, afirma, cobrando “ética, transparência e honestidade com a informação”.
A pesquisa Falpe repercutida nos últimos dias é registrada no TSE sob o número AL-05611/2026 e, de acordo com publicações, o levantamento foi feito entre 25 de fevereiro e 1º de março na Região Metropolitana, não em todo o território alagoano.
“Isso é desinformação”, diz Eugênio, ao defender limites para divulgação
No trecho mais duro da manifestação, Eugênio Albuquerque afirma que divulgar números de uma disputa estadual com base apenas em um recorte regional seria “um absurdo” e chega a defender que a Justiça deveria impedir e que os meios de comunicação não deveriam repercutir o material “como se fosse” o estado.
“Os institutos são prestadores de serviço, mas não podem estar a serviço de ninguém”, diz, acrescentando que esse tipo de prática “mistura o joio do trigo” e acaba atingindo a credibilidade de todo o setor de pesquisas, inclusive de quem atua com metodologia regular.
Eugênio reconhece que o instituto criticado “tem vários acertos”, mas sustenta que, no caso específico do recorte, a divulgação “está clara” como uma atuação que, na visão dele, “favorece” uma narrativa política — afirmação que ele apresenta como opinião a partir do formato do levantamento.
Debate ganhou força após análise sobre indecisão e limites do recorte
O tema ocorre num momento em que a pesquisa Falpe também foi analisada publicamente sob outro ângulo: o alto nível de indecisão na Região Metropolitana, com percentuais elevados de “não opinaram” em perguntas espontâneas.
Com a eleição de 2026 ainda distante das convenções e das definições formais de chapa, especialistas e observadores do cenário local têm apontado que números iniciais tendem a oscilar com alianças, desistências e entrada de novos nomes.
Espaço aberto
A reportagem deixa aberto o espaço para que o Instituto Falpe e veículos que divulgaram o levantamento se manifestem sobre as críticas de Eugênio Albuquerque, especialmente quanto ao objetivo do recorte metropolitano, à forma de apresentação dos dados ao público e aos cuidados adotados para evitar interpretação como pesquisa de abrangência estadual.