Com BNDES, Paulo Dantas cria grupo para acelerar contratos da Chamada Nordeste
O presidente do Consórcio Nordeste, Paulo Dantas, reuniu-se nesta terça-feira (3) com a diretora do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Maria Fernanda Ramos Coelho, para instituir um grupo executivo permanente destinado a acelerar a formalização dos contratos de crédito aprovados no âmbito da Chamada Nordeste da Nova Indústria Brasil.
A iniciativa selecionou 189 projetos que somam mais de R$ 100 bilhões em investimentos previstos. Com a fase de análise técnica iniciada, a prioridade agora é transformar as aprovações em contratos contratados e desembolsos efetivos.
"O esforço de mobilização foi grande. Agora precisamos da consequência. O projeto aprovado precisa mudar o contrato contratado", afirmou Paulo Dantas.
Durante a reunião, o presidente do Consórcio conversou por telefone com o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, e com o superintendente da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste, Francisco Alexandre, para alinhar a governança do monitoramento e fortalecer a articulação institucional em torno da execução dos projetos.
O grupo executivo reunirá representantes do BNDES, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Banco do Nordeste, Finep, Sudene, Consórcio Nordeste e pontos focais indicados pelos estados. As reuniões serão quinzenais. Foi necessária uma meta de formalização ao menos um contrato por estado a cada mês.
Segundo Maria Fernanda, a prioridade é acelerar a transição da seleção para a contratação. "O nosso grande desafio agora é acelerar a fase de contratação. As equipes serão mobilizadas para transformar os projetos aprovados em contratos efetivos", afirmou.
Ela ressaltou que o compromisso do banco é fortalecer a industrialização do Nordeste, apoiar as indústrias locais e gerar uma economia mais produtiva, inclusiva e geradora de renda.
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Política estrutural
O Nordeste enfrentou historicamente índices elevados de desemprego e déficits estruturais de infraestrutura e industrialização. Parte desse quadro está associada à insuficiência de crédito de longo prazo e de investimentos estruturantes ao longo das últimas décadas. Para Paulo Dantas, a conjuntura atual abre espaço para corrigir distorções.
"O que precisamos é de igualdade nas condições de financiamento para gerar mais emprego e renda para o nosso povo. Temos vocações econômicas claras e um setor produtivo preparado para crescer", declarou.
O secretário-geral do Consórcio Nordeste, Carlos Gabas, destacou o esforço prévio de mobilização nos estados. "Percorremos os novos estados e mobilizamos o setor produtivo. Agora é hora de transformar projetos em contratos e fazer o investimento chegar na ponta", afirmou.
A Chamada Nordeste foi estruturada como ação coordenada entre bancos federais e instituições regionais com o objetivo de ampliar o acesso ao crédito produtivo e reduzir assimetrias históricas. A busca aumentar a produtividade e a renda na estratégia regional por meio da industrialização.
Durante a reunião, a secretária da Fazenda de Alagoas, Renata dos Santos, explicou que “muitas empresas aprovadas têm bons projetos, mas enfrentam dificuldades técnicas para cumprir as exigências de bancos de fomento, como apresentação de garantias, modelos financeiros e documentos”.
O grupo executivo também terá a função de apoiar as empresas na adequação dos projetos às exigências técnicas, com participação ativa das secretarias estaduais de Fazenda e Planejamento.
A avaliação partilhada na reunião é que o desafio não é apenas na análise de crédito, mas na maturidade financeira dos proponentes, sobretudo micro e pequenas empresas.
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Os projetos de energia concentram parcela expressiva do volume financeiro aprovado, mas dependem de autorizações regulatórias e licenças ambientais. Parte das propostas definições aguardadas nesse campo para avançar. No caso dos data centers verdes, outro eixo estratégico, os entraves envolvem regulamentação específica e a elevada demanda energética dessas estruturas.
Turismo entra na agenda
A reunião também abriu espaço para a construção de uma estratégia regional de turismo para 2026. Maria Fernanda aborda a questão com o Ministério do Turismo e o uso de instrumentos do Fungetur para fomentar o setor.
A diretora preside ainda a Associação Brasileira de Desenvolvimento, que reúne agências de fomento e bancos públicos, o que pode ampliar a coordenação de políticas voltadas para a região.