Iteral negocia com sem-terra e libera trecho da Avenida Fernandes Lima após protesto em Maceió
Instituto intermediou acordo com trabalhadores rurais para desobstrução da via e suspensão de ocupações em prédios federais.
O Instituto de Terras e Reforma Agrária de Alagoas (Iteral) mediou, na tarde desta terça-feira (3), um lançamento de um trecho da Avenida Fernandes Lima, em Maceió, que havia sido bloqueado por trabalhadores rurais sem-terra. O protesto reivindicava avanços na reforma agrária e a suspensão de processos de reintegração de posse em áreas ocupadas no estado.
A negociação foi conduzida pelo diretor-presidente do Iteral, Jaime Silva, com apoio do Centro de Gerenciamento de Crises da Polícia Militar. Após o diálogo com as lideranças do movimento, os manifestantes concordaram em desobstruir uma das principais vias da capital e se comprometeram a encerrar, até o fim do dia, a ocupação de prédios públicos federais.
Desde o último domingo, cerca de 400 camponeses, ligados a sete organizações de luta pela terra, ocuparam as sedes do Ministério da Agricultura (Mapa) e do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) em Alagoas. Entre as principais reivindicações estão a suspensão das reintegrações de posse nas áreas das usinas Laginha e Guaxuma e a aquisição, pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), de 4.200 hectares pertencentes aos complexos do Grupo João Lyra, para assentamento de famílias acampadas há mais de 15 anos.
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De acordo com Marcos Antônio da Silva, conhecido como “Marrom”, coordenador nacional da Frente Nacional de Luta (FNL), mais de cinco mil famílias aguardam uma solução definitiva para os casos das usinas. "Estamos buscando não apenas chamar a atenção das instituições, mas cobrar do Governo Federal o compromisso com a reforma agrária. Solicitamos que o Poder Judiciário suspenda os processos de reintegração de posse, para que as famílias ameaçadas de despejo e tranquilidade", afirmou.

Uma reunião marcada para o dia 12 de março, em Brasília, deve retomar as tratativas entre representantes dos trabalhadores e o governo federal, na tentativa de encaminhar as demandas apresentadas pelo movimento.