Neurologista da Sesau esclarece principais sinais, diagnóstico e tratamento do Parkinson pelo SUS
Especialista destaca importância do diagnóstico precoce e do acompanhamento multiprofissional para qualidade de vida de pacientes com Parkinson em Alagoas.
A Doença de Parkinson é uma condição neurológica crônica e progressiva que afeta principalmente os movimentos do corpo, podendo impactar significativamente a qualidade de vida dos pacientes quando não diagnosticada e tratada adequadamente. Para esclarecer dúvidas sobre a doença, a neurologista Cícera Pontes, da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), destaca a importância do diagnóstico precoce e dos recursos terapêuticos multiprofissionais para a melhoria da qualidade de vida do parkinsoniano.
Segundo a especialista, a doença ocorre devido à degeneração das células localizadas em uma região do cérebro chamada substância negra. Essas células produzem dopamina, responsável por conduzir impulsos nervosos ao corpo. A redução ou falta de dopamina compromete os movimentos, provocando sintomas como lentidão, tremores, rigidez muscular, desequilíbrio, além de alterações na fala e na escrita.
De acordo com Cícera Pontes, o Parkinson também pode apresentar sintomas não motores, como diminuição do olfato, constipação intestinal, distúrbios do sono, ansiedade e depressão, que podem surgir antes mesmo do diagnóstico. “A identificação precoce da doença depende da atenção dos familiares, que, por vezes, podem acreditar que são sintomas do envelhecimento. Por isso, é fundamental conhecer os sinais para reconhecer que não se trata apenas da idade e buscar ajuda profissional para um diagnóstico preciso”, orienta.
Tremores
A neurologista da Sesau alerta que os tremores não são o primeiro sinal da doença e não acometem todos os pacientes. “O primeiro sintoma do Parkinson é a lentidão, geralmente percebida em um braço ou uma mão com redução da capacidade motora. Embora o tremor seja o sintoma mais conhecido, ele não é o primeiro a surgir e, em cerca de 30% dos pacientes, pode nem estar presente. O que percebo é uma lentidão maior para realizar tarefas do dia a dia, como se vestir, escrever ou caminhar”, explica.
Cícera Pontes também destaca que a doença é mais comum em pessoas com mais de 60 anos, mas pode ocorrer em indivíduos mais jovens, embora com menor frequência. “O Parkinson está associado ao envelhecimento, sendo mais frequente acima dos 60 anos, pois, quanto mais idosos ficamos, maior a predisposição a doenças neurodegenerativas. Entretanto, existe o chamado ‘Parkinson de início precoce’, que pode surgir antes dos 50 anos e, mais raramente, aos 40 anos. Nesses casos, fatores genéticos podem contribuir para o surgimento precoce da doença”, informa.
Diagnóstico e Tratamento
A neurologista da Sesau explica que o diagnóstico do Parkinson é realizado principalmente por meio da avaliação clínica feita pelo neurologista, que analisa o histórico do paciente e observa sinais característicos durante o exame físico. “Exames complementares podem ser solicitados para auxiliar na investigação e descartar outras doenças neurológicas com sintomas semelhantes”, pontua.
Cícera Pontes ressalta que, pelo Sistema Único de Saúde (SUS), os pacientes têm acesso ao acompanhamento médico especializado e a medicamentos que ajudam a controlar os sintomas da doença. “O tratamento é multiprofissional e dividido entre o uso de medicamentos, fornecidos pelo SUS, e abordagens não medicamentosas, sempre com acompanhamento do neurologista”, esclarece.
No âmbito não medicamentoso, a neurologista destaca a importância do acompanhamento terapêutico, que envolve fisioterapia, fonoaudiologia e terapia ocupacional. “Essas especialidades são fundamentais para auxiliar na manutenção da mobilidade, da fala e da independência do paciente ao longo do tratamento”, reforça Cícera Pontes.