SAÚDE PÚBLICA

Nutricionista do HGE orienta sobre prevenção de intoxicação alimentar

Especialista alerta para riscos do consumo e armazenamento inadequados, especialmente em períodos de calor

Publicado em 22/05/2026 às 16:30
Nutricionista do HGE orienta sobre cuidados para evitar intoxicação alimentar, especialmente no calor. Thallysson Alves / Ascom HGE

A intoxicação alimentar permanece como um dos problemas de saúde mais frequentes nas unidades hospitalares, especialmente durante períodos de altas temperaturas, quando alimentos perecíveis tornam-se mais vulneráveis à proliferação de bactérias, vírus e fungos.

Carolina Wanderley, nutricionista do Hospital Geral do Estado (HGE), em Maceió, explica que a doença resulta da ingestão de água ou alimentos contaminados, podendo causar náuseas, vômitos, diarreia, febre, dores abdominais e desidratação. Em situações graves, pode ser necessária a internação hospitalar.

Cuidados essenciais para evitar contaminação

“A higiene e o correto armazenamento dos alimentos são fundamentais para evitar a contaminação. Alimentos mal acondicionados ou manipulados de forma inadequada favorecem a multiplicação de microrganismos como Salmonella, Escherichia coli e Staphylococcus aureus. A temperatura inadequada é um dos principais fatores de risco. Alimentos perecíveis não devem permanecer fora da refrigeração por muito tempo, especialmente carnes, leite, ovos e refeições prontas”, orienta a nutricionista.

Dados preocupantes e riscos em casa

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 600 milhões de pessoas são vítimas anualmente de doenças transmitidas por alimentos em todo o mundo. No Brasil, milhões de casos de gastroenterites e infecções alimentares são registrados todos os anos, sobretudo em períodos de calor. Carolina Wanderley alerta que a contaminação pode ocorrer em qualquer etapa da cadeia alimentar, da produção ao preparo doméstico.

“Estudos do Ministério da Saúde indicam que grande parte dos casos ocorre dentro das residências, devido a falhas de higiene e conservação inadequada dos alimentos. Recomendo que as pessoas lavem as mãos antes de preparar ou consumir alimentos, higienizem frutas, verduras e legumes com solução adequada, como hipoclorito de sódio; evitem consumir carnes, ovos e frutos do mar crus ou mal cozidos; mantenham os alimentos refrigerados em temperaturas corretas; não consumam produtos com cheiro, cor ou aparência alterados; evitem recongelar alimentos já descongelados; e verifiquem a validade e a integridade das embalagens”, ressalta Wanderley.

Zona de perigo e grupos vulneráveis

A nutricionista do HGE também destaca a importância de evitar a chamada “zona de perigo”, faixa de temperatura entre 5°C e 60°C, ideal para a multiplicação de bactérias. Quanto mais tempo o alimento permanece nessa faixa, maior o risco de contaminação.

“Os sintomas geralmente aparecem poucas horas após o consumo do alimento contaminado, mas podem variar conforme o agente causador. Crianças, idosos, gestantes e pessoas com baixa imunidade estão entre os grupos mais vulneráveis às complicações. Em casos mais graves, a intoxicação pode provocar desidratação intensa, insuficiência renal e até alterações neurológicas”, alerta a profissional.

Procure atendimento médico em casos graves

Ao apresentar sintomas persistentes, febre alta, sangue nas fezes ou sinais de desidratação, a orientação é buscar atendimento médico imediatamente. Em Alagoas, os pacientes podem procurar as Unidades Básicas de Saúde (UBSs), Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), unidades mistas e hospitais regionais.

“O ideal é sempre reforçar os cuidados, especialmente em períodos festivos, viagens e durante o calor intenso. Ao comprar alimentos de ambulantes, observe quando foram preparados, como estão acondicionados e se há risco de contato com insetos. No menor sinal de risco, evite o consumo”, recomenda a nutricionista do HGE.