SAÚDE

Após morte de bebê, mães e pacientes denunciam precariedade no Hospital da Cidade: “Desumano”

Publicado em 04/08/2026 às 14:43

Relatos publicados nas redes sociais apontam demora no atendimento, superlotação, falta de leitos e problemas na recepção da maternidade

Após a morte do bebê Nikolas, que nasceu prematuro na recepção do Hospital da Cidade nessa segunda-feira (3), em Maceió, mães, gestantes e familiares passaram a relatar nas redes sociais experiências negativas vividas na unidade. As queixas incluem demora para atendimento de grávidas em trabalho de parto, superlotação, falta de leitos, ambientes sujos e despreparo de profissionais da recepção.

Nikolas morreu depois que a mãe, Morgana, teria aguardado cerca de uma hora com fortes dores e contrações. Segundo a família, ela deu à luz na recepção, sem assistência imediata. Vídeos divulgados pelos parentes mostram a jovem no local em meio ao chão ensanguentado. A família acusa o hospital de negligência.

Em um dos comentários publicados após a repercussão do caso, um homem identificado como Ítalo Pietro afirmou que a esposa também enfrentou dificuldades ao procurar a maternidade. Segundo ele, a mulher estava com contrações seguidas, mas teria sido ignorada pelos funcionários da recepção.

“Minha esposa teve filho aí. A recepção é péssima, desumana, desqualificada. Minha esposa estava com as contrações uma em cima da outra e eles na recepção nem aí. Eu tive que reclamar para eles chamarem o enfermeiro”, relatou. Apesar de elogiar a estrutura hospitalar, ele afirmou que a recepção precisa passar por mudanças urgentes.

Outra mãe contou que teve um bebê prematuro, com 28 semanas de gestação, e encontrou a sala de parto suja e com sangue. Ela também relatou que outro filho, nascido com cerca de um quilo, permaneceu 19 dias internado em uma Unidade de Terapia Intensiva, mas não resistiu após apresentar complicações.

Uma gestante que realiza o pré-natal na unidade relatou ter presenciado uma mulher chegar ao hospital com a bolsa rompida e gritando de dor. Segundo ela, a resposta atribuída à recepcionista foi: “Calma, a gente tem uma hora”. A paciente também denunciou superlotação e afirmou que grávidas estariam procurando o Hospital da Cidade após encontrarem outras maternidades lotadas.

Uma mulher identificada como Moniky afirmou que chegou à emergência às 6h com pressão alta, mas só teria sido atendida por um médico quase três horas depois. Ela disse ainda que passou o restante do dia na recepção aguardando o resultado de um exame de sangue, sem uma sala ou leito reservado e sem a presença de um acompanhante.

“Vocês precisam ver o descaso que é a entrada da maternidade de urgência e emergência. Na mídia é tudo lindo”, escreveu. Ela também reclamou da dificuldade para iniciar o acompanhamento de uma gestação de alto risco, afirmando que esperou dois meses pela primeira consulta.

Outra paciente classificou o atendimento como “péssimo” e afirmou que gestantes seriam deixadas à espera, sem informações claras. Segundo ela, funcionários teriam questionado se a gravidez era de risco antes de realizar o atendimento.

Os depoimentos foram publicados por usuários das redes sociais e representam relatos pessoais, que ainda precisam ser apurados individualmente. As denúncias reforçam os questionamentos da família de Nikolas sobre o atendimento prestado à mãe do bebê e as condições da recepção da maternidade.

Até o momento, o Hospital da Cidade não apresentou posicionamento sobre as denúncias feitas pela família de Morgana e pelos demais pacientes. O espaço permanece aberto para esclarecimentos.

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