O quanto as expectativas impactam a aprendizagem?
O ano escolar está iniciando na maioria das escolas gaúchas. Com este novo ciclo que (re)começa vale destacar: as expectativas importam, e muito! Quando educadores, famílias ou os próprios estudantes acreditam na capacidade de sucesso e estabelecem metas desafiadoras, o engajamento aumenta e o desempenho tende a superar expectativas.
Este fenômeno, validado por várias pesquisas de educação e da psicologia, é chamado de Efeito Pigmalião. E pode tanto ter o impacto positivo, como negativo nas aprendizagens. De forma resumida, quando as pessoas esperam que o estudante possua um bom desempenho, ele tende a se superar. Quando esta mesma expectativa é de poucas aprendizagens, há tendência para uma desmotivação, pouco envolvimento nas propostas escolares e, consequentemente, menor desempenho.
Só as expectativas bastam? Com certeza, não! Primeiro, é preciso dialogar sobre preferências, conhecer cada sujeito, para entender se faz sentido, ou não. Isso vale para todos os estudantes, independente de possuir alguma particularidade neurológica ou não. Alguém com forte gosto pela literatura, pode, por exemplo, não ter tanto interesse em matemática. Não se trata de gabaritar tudo, em todas as áreas do conhecimento. Mas, de ir bem, aprender, se desafiar e poder se destacar em algumas áreas ou projetos. Isso auxilia o estudante a ir descobrindo seu projeto de vida, além de aumentar sua autoestima.
Um cuidado muito importante é que aumentar a expectativa não significa exigir o perfeccionismo. Saber lidar com o erro é uma parte importante deste percurso. Outro aspecto que vale ainda destacar é a necessidade do diálogo. Primeiro, da família com o estudante; e dos educadores com o estudante. Para que estas expectativas fiquem claras, de uma forma que a pessoa seja desafiada, mas não sufocada. E que, além de envolver o estudante, os adultos possam conversar entre si: família e escola também precisam dialogar sobre como acompanhar este desenvolvimento, se a metodologia e os recursos da escola podem ajudar nas metas, entre outros pontos.
E, por fim, que todos possam celebrar as pequenas conquistas: o caderno organizado, destaques nas avaliações e olimpíadas do conhecimento e a postura respeitosa e agregadora, por exemplo.
O Efeito Pigmaleão me faz recordar aquele provérbio africano que diz que é preciso toda uma aldeia para educar alguém. Em conjunto, educadores, famílias, estudantes e sociedade, podemos, a cada dia, dar passos para que cada sujeito possa se desenvolver melhor; e assim cada turma, cada escola, cada cidade... não há grandes transformações que não passem pelas pessoas individualmente, e, em especial, que não sejam (res)significadas na escola.