Maçonaria: intolerância e preconceito
Assistindo a um vídeo do comentarista de assuntos maçônicos, Leandro Vagner Torrecilhas, onde ele aborda a questão da intolerância e do preconceito praticado por maçons, dentro e fora da loja, nasceu em mim a ideia de escrever sobre esta questão, principalmente por estarmos num período em que pequenas e grandes discussões, que têm a discórdia como centro, ocorrem diuturnamente.
Cabe informar que Torrecilhas é advogado militante há mais de uma década e Venerável Mestre da ARLS Corpus Hermeticum L903, de São Bernardo do Campo, São Paulo, que é filiada à GLESP (Grande Loja Maçônica do Estado de São Paulo).
O comentarista diz, em seu texto, que: “Nos últimos dias li que certas convicções ideológicas revelam falta de caráter. Que determinados irmãos não merecem estar na Ordem. Que o certo é se afastar de quem pensa diferente”. Mais adiante chama a atenção para o fato de que: “Durante séculos os maçons foram prosseguidos”.
Neste ponto, deduzo que o Venerável Mestre Leandro Torrecilhas, está se referindo à oposição e condenação sistemática da Igreja, liderada pela sua alta cúpula do Clero, contra a Maçonaria, levada a efeito no Século XVIII e iniciada em 28 de abril de 1.738, com a publicação da bula papal In Eminenti Apostolatus Specula, pelo Papa Clemente XII.
Foi nesse Século e nesse dia que os maçons da época começaram a se esconder e se reunir em lugares secretos. Mas, mesmo assim, um grande número de maçons fora capturado e morto.
Diante dessa realidade do passado, Torrecilhas faz uma pergunta: “E agora tem maçom querendo fazer o mesmo com o irmão sentado ao seu lado, só porque pensa diferente dele?”
É a partir daí que dou início à minha fala:
Neste período eleitoral atualmente vivido no Brasil, tem sido comum se assistir vídeos, ler artigos, reportagens e comentários retratando algumas verdades conhecidas dos brasileiros. Por conseguinte, entre essas verdades se registra um grande número de mentiras, insinuações e difamações de pessoas e instituições, usando-se como meio de divulgação dessas infâmias as abomináveis fake news.
Diante, pois, do que se vê através deste prelo é importante que o maçom faça uma auto reflexão, partindo da sua própria realidade, enquanto maçom e homem de bem.
Muitos de nós maçons, nos indignamos e criticamos os leigos que julgam de forma depreciativa a nossa Ordem, sem sequer conhecê-la. Outrossim, alguns outros procedem de maneira idêntica a esses críticos, quando procuram desvalorizar um irmão que tem ideias diferentes das suas e, a partir daí, procura destruir aquele irmão debochando da sua religião, desvalorizando o seu saber e vandalizando a sua ideologia.
Por certo, o reprovável comportamento descrito no item anterior é a prova inequívoca da hipocrisia desses maçons. Destaque-se tambem que através dessa hipocrisia eles expõem os seus preconceitos para com os irmãos maçons e todos aqueles que não comungam do seu pensamento.
É de se destacar, que assim procedendo o maçom está violando os mais elementares preceitos constitucionais e maçônicos, que são os da liberdade de pensamento, da tolerância, do respeito ao próximo e da fraternidade.
Os Rituais maçônicos, em especial o do REAA - Rito Escocês Antigo e Aceito, define de forma clara para o quê os maçons se reúnem em Lojas Maçônicas e, respondendo a este questionamento, o Ritual mencionado diz que ali estão reunidos “Para combater o despotismo, a ignorância, os preconceitos e os erros. Para glorificar a Verdade e a Justiça. Para promover o bem-estar da Pátria e da Humanidade, levantando tempos à Virtude e cavando masmorras ao vício.”
Assim sendo, não será reduzindo o valor moral e intelectual de um irmão ou de um profano, debochando da sua religião, desvalorizando o seu saber ou vandalizando a sua ideologia, usando como justificativa o fato daquele irmão pensar diferente dele, que se estará fazendo um bem a humanidade. Ao contrário, estar-se-á infringindo o propósito estabelecido pela Ordem, ao violar um dos seus principais objetivos, o de “...combater o despotismo, a ignorância, os preconceitos e os erros...”.
Qualquer justificativa usada para essa inaceitável contradição e violação de princípios maçônicos e constitucionais, como afirma o Dr. Torrecilhas, é um repreensível e inaceitável “...preconceito....”.
Ainda usando a fala do Venerável Mestre Leandro, transcrevo um trecho da sua extraordinária aula sobre caráter e decência de um bom maçom, comungando com ele quando ele diz: “A Maçonaria não tem dono. Muito menos dono ideológico. Ela não existe para formar homens de direita ou de esquerda. Ela existe para formar homens melhores. E, se esses homens chegarem à política, que levem com eles o que aprenderam...” na maçonaria: “...caráter, justiça, liberdade, tolerância e responsabilidade”.
Dito isto, concluo esta peça de arquitetura, parabenizando ao nosso Professor e irmão Dr. Leandro Vagner Torrecilhas, pela sua brilhante aula sobre a inaceitabilidade do preconceito dentro e fora da Maçonaria, chamando a atenção dos maçons para que tomem como exemplo de vida e comportamento, o pavimento mosaico da Loja Maçônica. Pois ele dá, aos maçons, a extraordinária lição de que ali “...Os opostos dividem o mesmo espaço...”, e convivem harmonicamente entre si.
Entendo eu, que é assim que a convivência entre maçons, leigos e familiares deverá ser, pondo-se em prática, rotineiramente, a liberdade, a tolerância, a Igualdade, a responsabilidade e o Amor Fraterno.
*José Firmino de Oliveira, M∴M∴ Grau 16 do REAA, iniciado em 17 de setembro de 1977, na ARBLS União e Bondade Nº 13, Oriente de Arapiraca. Atualmente está filiado a ARLS Benfeitora de Ordem Perfeita União II, Oriente de Arapiraca, desde 13 de julho de 2023. Também filiado à ARLS Benfeitora de Ordem Tiradentes XI, Oriente de Maceió, desde em 16 de dezembro de 2025. É Deputado Federal Maçônico, representante desta última Loja.