Em vídeo nas redes sociais, Júlio César tenta se apropriar do Hospital Regional de Palmeira dos Índios
No mesmo vídeo divulgado recentemente em suas redes sociais — no qual também comparou Palmeira dos Índios à Europa e aos Estados Unidos e sugeriu que quem estivesse insatisfeito com o SUS “procurasse um plano de saúde” — o ex-prefeito e atual secretário de Relações Institucionais do Estado, Júlio César, afirmou que teria sido o responsável por “trazer” o Hospital Regional do Médio Sertão para o município.
A declaração, feita de forma direta no vídeo, provocou nova onda de críticas por distorcer fatos administrativos amplamente conhecidos. O Hospital Regional do Médio Sertão não é uma obra municipal, nem resultado de articulação da Prefeitura de Palmeira dos Índios. Trata-se de um equipamento 100% estadual, concebido, planejado e iniciado durante o governo de Renan Calheiros Filho e concluído e entregue à população pelo atual governador Paulo Dantas.
No vídeo, Júlio César tenta vincular sua imagem ao hospital como se a iniciativa tivesse partido de sua gestão passada, ignorando que o projeto integra o plano de regionalização da saúde do Governo de Alagoas, executado com recursos estaduais e sob responsabilidade da Secretaria de Estado da Saúde.
A tentativa de assumir a autoria da obra gerou forte reação popular. Nas redes sociais, moradores classificaram a fala como apropriação indevida de uma conquista coletiva, resumida na expressão que ganhou força entre os palmeirenses: “quer ser pai da criança dos outros”.
O episódio reforça o desgaste do discurso do ex-prefeito, especialmente por ocorrer no mesmo vídeo em que minimiza críticas à saúde pública municipal — hoje sob comando de sua tia, a prefeita Luísa Júlia Duarte — em uma cidade onde a maioria da população depende exclusivamente do SUS.
Em meio a comparações descabidas, viagens internacionais custeadas com recursos públicos e tentativas de reescrever a história recente, o vídeo acabou ampliando o debate público: obra estadual tem autoria definida, registros oficiais e responsabilidade clara — e não cabe a narrativas políticas rebatizar conquistas que não lhe pertencem.