Operação Barco de Papel prende ex-chefe do Rioprevidência por aplicações no Banco Master; alerta ecoa no IPREV de Maceió
A prisão temporária de Deivis Marcon Antunes, ex-presidente do Rioprevidência, na segunda fase da Operação Barco de Papel, recoloca no centro do debate nacional um tema sensível: fundos públicos de previdência aplicando volumes bilionários em títulos classificados como de alto risco ligados ao Banco Master.
Segundo a Polícia Federal, a fase atual da operação investiga crimes contra o sistema financeiro envolvendo a gestão de recursos do fundo previdenciário do Estado do Rio de Janeiro. A prisão ocorreu em Itatiaia, após o ex-dirigente retornar do exterior e se deslocar por via terrestre — movimento que também despertou interesse dos investigadores quanto às circunstâncias do trajeto.
Quase R$ 1 bilhão sob risco
As apurações, conforme reportagens baseadas em informações da investigação e notas públicas, apontam que o fundo teria realizado aplicações que somam quase R$ 1 bilhão em letras financeiras do Banco Master — papéis descritos como de alto risco e sem cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), com potencial de expor o patrimônio destinado a aposentadorias e pensões.
O Rioprevidência administra recursos ligados a cerca de 235 mil beneficiários, o que amplifica a dimensão social do caso e o nível de pressão por responsabilização e transparência.
O recado do Rio serve de aviso para Maceió
A visão externada pela direção do fundo carioca — de que é preciso cautela, controle e rastreabilidade máxima em decisões de investimento — funciona, na prática, como um alerta direto para o IPREV da Prefeitura de Maceió, porque o fundo previdenciário municipal também aparece associado a operações semelhantes com ativos do Banco Master.
A diferença central está na escala: no Rio de Janeiro, fala-se em quase R$ 1 bilhão; em Maceió, reportagens registram investimentos na casa de R$ 97 milhões (aproximadamente “R$ 100 milhões”), número menor em valor absoluto, mas que ganha peso quando comparado proporcionalmente ao tamanho e ao orçamento de cada ente público.
Em outras palavras: o Rio mostra a “versão gigante” de um mesmo risco — e Maceió precisa tratar o seu caso com a mesma seriedade institucional, porque o que está em jogo é o mesmo: segurança da previdência pública e responsabilidade dos gestores.
Pressão por transparência e prestação de contas
Com a prisão no Rio e a operação em andamento, cresce a cobrança para que prefeituras e fundos municipais que tenham se exposto a produtos do Banco Master publiquem, de forma objetiva: quais foram os papéis adquiridos (tipo, prazos e taxas); a fundamentação técnica (pareceres, comitês, consultorias e atas); a situação atual do investimento (marcação a mercado, risco, providências) e as medidas para proteger os beneficiários.
O episódio no Rio evidencia um ponto essencial: quando a engrenagem falha, não é um “erro contábil” — é o dinheiro de aposentadorias e pensões que entra na roleta. E, no Nordeste, Maceió está no grupo das capitais que precisa olhar para esse caso como sinal vermelho, não como ruído distante.