No Sindicato Rural, Sheila rompe o silêncio e acusa Júlio Cezar de humilhação e perseguição; veja vídeo
Em discurso no Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Sheila afirma que foi isolada, humilhada e afastada de agendas da gestão após não apoiar o projeto eleitoral do ex-prefeito para deputado federal
A vice-prefeita de Palmeira dos Índios, Sheila Duarte, fez na última sexta-feira, 6 de março, um dos mais duros pronunciamentos já registrados desde o início da atual gestão municipal. Durante fala no Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Sheila afirmou publicamente que vem sendo alvo de perseguição política, isolamento administrativo e humilhações impostas pelo ex-prefeito Júlio Cezar, a quem adversários e críticos locais costumam se referir como “(ex) imperador”. Sheila é a atual vice-prefeita do município, conforme página oficial da Prefeitura.
No discurso, a vice-prefeita revelou que deixou de ser chamada para compromissos e eventos institucionais da administração. “Eu não estou sendo convidada para as outras agendas do município. Eu acho que alguém já notou a minha ausência em vários eventos”, declarou, em tom de desabafo. A fala expôs, de forma aberta, um rompimento político que já vinha sendo comentado nos bastidores de Palmeira dos Índios.
Sheila disse que entrou na campanha acreditando que ajudaria a dar continuidade ao trabalho político iniciado no grupo de Júlio Cezar, mas afirmou que a promessa de unidade não se confirmou. “Quando começamos a nossa campanha, nós começamos dizendo que iríamos trabalhar para Palmeira dos Índios e dar continuidade a esse trabalho do prefeito Júlio, mas infelizmente isso não aconteceu”, afirmou.
Em um dos trechos mais contundentes, Sheila atribuiu diretamente ao ex-prefeito a perseguição que, segundo ela, passou a sofrer dentro do próprio grupo político. “O nosso Júlio me persegue”, disse, acrescentando que a relação teria azedado após sua recusa em embarcar no projeto de apoio à candidatura de Júlio Cezar à Câmara Federal. Reportagens publicadas nos últimos dias registram que Júlio Cezar deixou o MDB e passou ao PSD com objetivo de disputar vaga de deputado federal em 2026, além de exercer atualmente o cargo de secretário de Estado de Relações Federativas e Internacionais, posto para o qual foi empossado em abril de 2025 pelo governo de Alagoas.
Segundo Sheila, o rompimento ocorreu porque ela não aceitou aderir ao projeto eleitoral do ex-prefeito. “Ele me deixou de lado porque eu não pude apoiá-lo para deputado federal”, afirmou. Na mesma linha, declarou que não poderia abandonar compromissos políticos anteriores nem apoiar uma movimentação que, em sua visão, contrariava sua própria posição política. “Eu não posso deixar o deputado federal Paulão andar o caminho há 25 anos. Eu não posso”, disse, antes de completar que seu compromisso eleitoral estaria voltado para a disputa de deputado estadual.
A vice-prefeita também afirmou que tentou diálogo antes da ruptura se consolidar. Segundo ela, esperou por meses uma conversa política que nunca aconteceu. “Eu esperei o nosso Julinho durante seis meses para que sentasse comigo e conversasse qual seria o nosso deputado estadual que eu poderia ajudar, para ajudar ele. Mas o nosso Júlio não me chamou”, relatou.
Em outro momento do discurso, Sheila se apresentou como uma voz incômoda dentro da estrutura política por apontar erros administrativos e ouvir críticas da população. Ela afirmou que foi afastada justamente por não aceitar silenciar diante dos problemas da cidade. “Eu vou dizer o que é que está certo e onde não está, e eu fui afastada por isso. Por dizer: isso aqui está errado, minha gente. A gente não pode deixar isso aqui acontecer”, declarou.
A vice-prefeita ainda fez críticas indiretas à atual situação de Palmeira dos Índios, associando o desgaste político ao abandono de promessas feitas durante a campanha. “Eu fiz uma campanha dizendo que Palmeira dos Índios tinha dinheiro para iluminação pública, para continuar fazendo as reformas, inaugurando as praças, mas elas estão abandonadas. Está escuridão em Palmeira, zona rural e zona urbana. Essa é a realidade”, afirmou, numa fala que mistura cobrança administrativa com forte conteúdo político.
Em tom emocional, Sheila disse que vem sendo “perseguida” e “humilhada” repetidas vezes, mas que escolheu o momento certo para tornar pública sua insatisfação. “Eu tenho sido perseguida, tenho sido humilhada, várias vezes. Mas eu não fico de mimimi. Eu espero o momento certo pra falar”, declarou, arrancando atenção da plateia presente ao evento.
Apesar da contundência, o discurso também trouxe uma tentativa de separar divergência política de ataque pessoal. Sheila reconheceu a longa trajetória ao lado de Júlio Cezar, lembrando vitórias e derrotas eleitorais compartilhadas ao longo de cerca de 25 anos. “O senhor tem todo o meu respeito. Vinte e cinco anos de estrada. Ganhamos eleição juntos e perdemos eleição juntos, porque política é isso”, disse. Logo em seguida, no entanto, emendou a crítica central: “Política é ouvir a população, mas não pra ter vaidade. Porque esta cidade, este chão, não tem dono. O dono é o povo.”
A fala da vice-prefeita ocorre num momento em que o tabuleiro político de Palmeira dos Índios e de Alagoas passa por forte rearranjo. Nos últimos dias, a movimentação partidária de Júlio Cezar para o PSD e seu projeto de candidatura à Câmara Federal ganharam repercussão na imprensa alagoana.
O discurso de Sheila, portanto, não foi apenas um desabafo pessoal. Foi um recado político direto, público e de alta voltagem, dado num espaço simbólico e diante de uma plateia popular. Ao expor que foi escanteada por não aderir ao projeto eleitoral do antigo aliado, a vice-prefeita joga luz sobre a crise interna do grupo que comandou Palmeira dos Índios nos últimos anos e transforma um conflito de bastidores em enfrentamento aberto.
Até o momento, esta matéria registra as acusações feitas por Sheila Duarte em seu pronunciamento. O espaço permanece aberto para manifestação de Júlio Cezar e de integrantes do grupo político citado.