Júlio Cezar manda a tia prefeita exonerar secretário de assistência social, em pleno sábado, e atinge o PT em Palmeira
Nos bastidores, a leitura foi imediata: após o desabafo público de Sheila Duarte, Júlio Cezar teria usado o WhatsApp para mandar a prefeita agir, e a canetada de sábado acabou atingindo um secretário ligado ao PT
A crise entre a vice-prefeita Sheila Duarte e o ex-prefeito Júlio Cezar ganhou um novo e explosivo capítulo em Palmeira dos Índios. Menos de 24 horas depois de Sheila denunciar, em discurso público no Sindicato dos Trabalhadores Rurais, que vinha sendo perseguida, humilhada e isolada politicamente, a resposta do grupo ligado ao ex-prefeito veio com caneta, Diário Oficial e um detalhe que chamou ainda mais atenção nos bastidores: a exoneração foi publicada em pleno sábado, dia 7 de março de 2026, em um ato considerado atípico no ritmo político-administrativo do município.
Na edição de sábado do Diário Oficial de Palmeira dos Índios, ano XIV, nº 7189, a prefeita Luisa Júlia Duarte exonerou Josival Calixto de Lira do cargo de secretário municipal de Assistência, Inclusão e Desenvolvimento Social, por meio da Portaria nº 183/2026, datada de 07/03/2026. O ato estabelece que a portaria entra em vigor a partir da data de sua publicação.
O movimento, por si só, já teria peso político. Mas o contexto e o timing deram à exoneração um significado ainda maior. O ato saiu logo após o discurso de Sheila Duarte e justamente num sábado, fora do fluxo mais comum das grandes mudanças administrativas, o que reforçou a leitura de reação rápida, calculada e com endereço político certo.
Na mesma edição do Diário Oficial, a gestão municipal também exonerou Daniela Mayana Paiva da Silva do cargo de diretora de Segurança Alimentar e Nutricional, por meio da Portaria nº 184/2026, igualmente datada de 07/03/2026 e publicada no sábado.
Em seguida, no mesmo pacote político-administrativo, a prefeitura nomeou Daniela Mayana Paiva da Silva para o cargo de secretária municipal de Assistência, Inclusão e Desenvolvimento Social, símbolo CC-01, através da Portaria nº 185/2026, também de 07/03/2026, com vigência imediata.
A sequência dos atos não passou despercebida. Primeiro, a exoneração do secretário. Depois, a saída da diretora. Na sequência, a nomeação da mesma diretora para o posto máximo da pasta. Tudo isso formalizado no mesmo Diário Oficial e num sábado, em uma operação relâmpago que, na prática, deu contornos de contra-ataque político à fala da vice-prefeita.
Nos bastidores, a exoneração de Josival Calixto foi lida como um recado direto ao campo político vinculado a Sheila Duarte e também como uma pancada em setores ligados ao PT dentro da administração. Assim, a mensagem teria sido destinada à vice-prefeita, mas o atingido imediato foi um nome identificado com essa ala da gestão.
O fator mais sensível é justamente o caráter incomum da publicação. Mudanças desse porte já são, por natureza, politicamente relevantes. Quando ocorrem em pleno sábado, logo após um discurso de rompimento, ganham peso simbólico ainda maior. O gesto indica urgência, reação e intenção de demonstrar força. Em vez de deixar a poeira baixar após a fala de Sheila, o núcleo de poder ligado a Júlio Cezar optou por responder rapidamente, usando a estrutura administrativa como instrumento de reposicionamento interno.
Na sexta-feira, Sheila Duarte havia feito o discurso mais duro desde o início da atual gestão. Diante do público, afirmou que não vinha sendo convidada para agendas do município, disse que foi escanteada por não apoiar o projeto de Júlio Cezar para deputado federal e declarou que sofria perseguição e humilhação. A fala tirou do terreno dos comentários de bastidor uma crise que já era percebida nos meios políticos locais.
O que veio no dia seguinte foi mais que uma troca burocrática. A publicação das portarias no sábado transformou a crise em fato administrativo consumado. A mensagem política foi clara: A resposta não ficaria apenas no campo do silêncio ou da articulação subterrânea. Viria assinada, publicada e com efeitos imediatos.
Com isso, a guerra interna no grupo que governou Palmeira dos Índios nos últimos anos deixa de ser apenas uma divergência velada e entra em fase aberta. De um lado, a vice-prefeita denuncia perseguição. Do outro, o grupo do ex-prefeito reage com uma mudança abrupta numa pasta estratégica e em um dia atípico, ampliando a percepção de que a disputa interna já contaminou de vez a engrenagem administrativa do município.