Paralisação de serviço multidisciplinar deixa centenas de crianças autistas sem terapia em Maceió
Após atraso em repasses da Prefeitura, 325 pacientes foram desligados de tratamento essencial; famílias temem retrocesso no desenvolvimento de crianças com TEA
A rotina de centenas de famílias em Maceió foi bruscamente interrompida no último dia 6 de março. Um serviço de reabilitação multidisciplinar, que atendia crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e outras condições neurodivergentes em duas unidades da capital, suspendeu suas atividades por tempo indeterminado. A causa, segundo apurado, seria a ausência de repasses financeiros por parte da Prefeitura de Maceió.
O impacto da medida é imediato e severo: 325 crianças — 150 no bairro Benedito Bentes e 175 na unidade CER IV, no Farol — foram desligadas das atividades terapêuticas. O serviço era um pilar fundamental no suporte a esses pacientes, oferecendo uma abordagem integrada com fisioterapeutas, psicólogos, psicopedagogos, assistentes sociais e educadores físicos.
O preço da interrupção
Para crianças neurodivergentes, a continuidade é a palavra-chave para o desenvolvimento. Especialistas enfatizam que a quebra abrupta do tratamento não representa apenas uma pausa, mas um risco real de perda de habilidades cognitivas, sociais e motoras conquistadas a duras penas ao longo de meses ou anos de acompanhamento.
"O tratamento não pode ser tratado como uma opção, mas como um direito contínuo", afirma um dos profissionais da área, que prefere não se identificar por receio de represálias. Sem uma alternativa de atendimento imediata, as famílias foram informadas de que, para retornar ao sistema, os pacientes deverão ser reinseridos no fim da fila de espera do CER IV, um cenário que pais e responsáveis consideram desolador.
Cobrança por respostas
O clima entre os familiares é de indignação e desamparo. O silêncio do poder público municipal diante da crise tem elevado a preocupação de pais que, agora, se veem sem suporte para garantir o desenvolvimento de seus filhos.
O movimento de familiares e profissionais ganha força com um pedido uníssono: a retomada urgente das atividades. Enquanto a Prefeitura de Maceió não apresenta uma solução concreta para a regularização dos pagamentos e a reabertura do serviço, centenas de crianças permanecem em um vácuo assistencial, observando, impotentes, o retrocesso dos avanços que tanto esforço custou para construir.
Nota da redação: Este espaço está aberto para que a Prefeitura de Maceió se manifeste sobre o caso e esclareça quais medidas estão sendo tomadas para restabelecer os atendimentos.