Vídeo de Gegê expõe traição e coloca prefeito de Rio Largo no centro de pressão política
Após ser chamado de “traidor” em público pelo tio, Carlos Gonçalves reafirma apoio a aliados de Gegê e de Arthur Lira, reacendendo dúvidas sobre seu posicionamento político
Um vídeo que viralizou nas redes sociais nesta semana escancarou, de forma pública e constrangedora, o rompimento político e familiar entre o ex-prefeito de Rio Largo, Gilberto Gonçalves, o Gegê, e o atual prefeito do município, seu sobrinho, Carlos Gonçalves.
As imagens foram registradas durante o ato partidário promovido pelo deputado federal Arthur Lira, que lançou sua pré-candidatura ao Senado. No evento, Gegê, diante do próprio sobrinho e de apoiadores, disparou:
“Rapaz, tu me traísse, não foi? Que traição. Eu te dei de tudo na vida...”
A fala, carregada de ironia e emoção, rapidamente ganhou repercussão e expôs a crise interna que já vinha sendo travada nos bastidores desde o início da gestão de Carlos Gonçalves.
Rompimento e disputa de poder
O rompimento entre tio e sobrinho ocorreu logo após a posse do atual prefeito. Gegê, responsável direto pela eleição de Carlos, esperava manter influência sobre a administração municipal — expectativa que não se concretizou.
A tentativa de controle político teria sido o estopim da ruptura, que evoluiu para um embate aberto pelo comando da prefeitura.
Discurso que amplia as dúvidas
Quatro dias após o episódio público, o prefeito Carlos Gonçalves voltou ao centro da controvérsia ao discursar durante a entrega de moradias em Rio Largo.
Na ocasião, declarou apoio político a nomes diretamente ligados ao grupo de seu tio e ao deputado Arthur Lira: voto na deputada estadual Gabi Gonçalves (filha de Gegê); apoio a Álvaro Lira para deputado federal; apoio a Arthur Lira para o Senado.
“Não tenho dificuldade nenhuma de conversar com ninguém. Minha obrigação é com a cidade de Rio Largo”, afirmou.
Apesar das declarações, o prefeito evitou se posicionar sobre o segundo voto ao Senado e, principalmente, sobre a disputa ao Governo de Alagoas — ponto central do xadrez político estadual.
Entre Lira e os Calheiros
O gesto gerou forte repercussão política.
Isso porque, no momento mais crítico da crise institucional em Rio Largo - quando a Câmara de Vereadores chegou a apresentar um documento de renúncia posteriormente considerado fraudulento pela Justiça - Carlos Gonçalves foi politicamente socorrido pelo senador Renan Calheiros e pelo ministro Renan Filho, que lhe deram sustentação.
O novo alinhamento com o grupo de Arthur Lira, portanto, levanta questionamentos sobre eventual mudança de lado ou tentativa de equilíbrio político.
Arregou ou está pagando a dívida?
A cena protagonizada por Gegê e o discurso posterior de Carlos Gonçalves expõem mais do que um conflito familiar: revelam a complexidade das alianças políticas em Alagoas.
De um lado, o peso da lealdade familiar e do padrinho político que o elegeu. Do outro, a sobrevivência administrativa e os apoios institucionais que garantiram sua permanência no cargo.
A pergunta que ecoa nos bastidores é inevitável:
Carlos Gonçalves recuou diante da pressão ou está, na prática, tentando honrar compromissos políticos assumidos no passado?
Cenário em aberto
O episódio reforça que a disputa política em Rio Largo está longe de ser apenas administrativa. Trata-se de uma batalha por controle político, influência e protagonismo em um dos municípios mais estratégicos da Região Metropolitana de Maceió.
E, como ficou evidente, essa disputa não se limita aos bastidores — agora, ela também se desenrola em público, diante das câmeras e do julgamento da opinião popular.