Frei Betto defende participação popular e diz que “quem tem nojo de política” favorece corruptos
Em palestra no ciclo de debates sobre democracia promovido pelo PT em Alagoas, escritor e teólogo afirmou que não existe neutralidade política, associou a omissão ao fortalecimento de maus agentes públicos e voltou a defender a reeleição do presidente Lula
O escritor, teólogo e militante social Frei Betto foi o palestrante desta quinta-feira, 9 de abril de 2026, em Maceió, durante mais uma atividade do ciclo de debates sobre democracia promovido pelo mandato do deputado estadual Ronaldo Medeiros em parceria com o Partido dos Trabalhadores em Alagoas. O encontro foi realizado no Centro Cultural do Sinteal e teve como tema “Democracia, Fé e Política: os dilemas do século XXI”.
Em sua fala, Frei Betto fez uma defesa enfática da participação política e afirmou que a omissão também é uma forma de fazer política. Segundo ele, há um equívoco em imaginar que alguém possa ser neutro diante da vida pública. Para o palestrante, quem diz que não quer saber de política acaba, na prática, abrindo espaço para aqueles que atuam de má-fé no poder.
“Há muita gente que acha que não é político, mas não existe neutralidade política, porque política se faz por omissão. Aquela pessoa que diz ‘eu não me interesso, eu não quero nem saber de política’, está fazendo política porque quem não gosta de política favorece a quem gosta”, afirmou Frei Betto durante o debate.
Num dos trechos mais incisivos da palestra, ele lançou uma crítica direta ao desencanto com a atividade política e disse que esse sentimento acaba servindo aos interesses dos maus agentes públicos. “Tudo que os maus políticos querem é que a gente tenha nojo de política para eles ficarem à vontade com a rapadura nas mãos”, declarou. Em seguida, reforçou a provocação: “Você que tem nojo de política, está fazendo um grande favor aos corruptos, aos oportunistas, aos bandidos que querem tomar conta da política”.
Frei Betto também relacionou fé e compromisso social ao comentar uma provocação feita pela militante Lenilda, citada por ele durante a exposição. Na avaliação do religioso, a fé deixa de ser obstáculo quando se coloca a serviço dos pobres e excluídos. “Quando a nossa fé é colocada à disposição dos empobrecidos e empobrecidas, aí sim não tem cadeia, mas também não tem cargo comissionado, nem eleição que nos seduza, porque o compromisso é com a libertação”, disse.
Ao final, o palestrante agradeceu a receptividade dos organizadores e deixou clara sua posição política para o próximo processo eleitoral. “Nós temos uma grande tarefa, reeleger o companheiro Lula, sim”, afirmou.
A atividade integrou a agenda de debates anunciada previamente pelo PT alagoano e por apoiadores do evento como um espaço aberto de reflexão sobre democracia, participação popular, fé e os desafios políticos do Brasil contemporâneo.