Ato de 1º de Maio em Maceió vira protesto contra JHC e políticas públicas da capital
Manifestação na Praia de Pajuçara reuniu organizações de trabalhadores, sindicatos e a CUT; refrão “O Salgadinho tá cheiroso? Não! E o JHC, o que é que ele é? Mentiroso” marcou o ato
O ato do 1º de Maio, realizado nesta sexta-feira, na Praia de Pajuçara, em Maceió, reuniu organizações de trabalhadores, sindicatos, representantes da CUT e movimentos sociais em uma manifestação marcada por reivindicações trabalhistas, críticas às políticas públicas implementadas na capital e protestos contra o ex-prefeito JHC.
A mobilização, tradicionalmente voltada à defesa dos direitos da classe trabalhadora, ganhou também forte tom político. Durante o ato, os manifestantes entoaram palavras de ordem contra JHC e ironizaram uma das principais vitrines administrativas da gestão do ex-prefeito: as obras no entorno do Riacho Salgadinho.
Um dos refrões puxados durante a manifestação foi direto:
“O Salgadinho tá cheiroso?
Não!
E o JHC, o que é que ele é?
Mentiroso, mentiroso.”
A palavra de ordem fez referência às críticas recorrentes sobre a situação do Riacho Salgadinho, obra anunciada como símbolo de requalificação urbana e ambiental em Maceió, mas que ainda é alvo de reclamações de moradores, frequentadores e setores da oposição por causa do mau cheiro e da permanência de problemas históricos na região.
Protesto expõe insatisfação com a gestão municipal
Além das críticas ao Salgadinho, o ato também abordou a situação dos servidores públicos municipais. Em meio aos gritos de protesto, uma das lideranças questionou os trabalhadores sobre reajuste salarial e afirmou que “todas as categorias estão no prejuízo do serviço público municipal”.
“Alguém recebeu o reajuste esse ano?”, perguntou o orador durante a manifestação.
A fala reforçou o clima de insatisfação presente no ato. A manifestação, organizada por entidades representativas dos trabalhadores, sindicatos e movimentos sociais, transformou-se em espaço de cobrança por valorização profissional, recomposição salarial, respeito aos direitos trabalhistas e melhoria dos serviços públicos.
Durante a manifestação, os participantes repetiram a expressão “mentiroso” em referência a JHC, em uma sequência de palavras de ordem que deu o tom da insatisfação presente no ato.
Salgadinho volta ao centro do debate político
A menção ao Riacho Salgadinho não foi casual. A obra foi amplamente divulgada pela administração de JHC como uma intervenção importante para Maceió. No entanto, a permanência de queixas sobre odor, saneamento e efetividade da requalificação fez com que o tema passasse a ser usado por adversários políticos, sindicatos e movimentos sociais como símbolo de promessa não cumprida.
No ato desta sexta-feira, o refrão “O Salgadinho tá cheiroso? Não!” sintetizou a crítica dos manifestantes. A frase foi usada para contestar o discurso oficial de modernização e cobrar resultados concretos da gestão municipal.
Para os participantes, o problema não se resume à estética urbana. A crítica envolve saneamento, saúde pública, meio ambiente, qualidade de vida e aplicação dos recursos públicos em obras apresentadas como solução definitiva para antigos problemas da capital.
Dia do Trabalhador com tom político
O Dia do Trabalhador, celebrado em 1º de maio, costuma reunir sindicatos, centrais, organizações populares e movimentos sociais em atos públicos pelo país. Em Maceió, a manifestação na Praia de Pajuçara manteve essa tradição, mas também incorporou pautas locais e críticas à condução da administração pública municipal.
A presença de trabalhadores de diferentes segmentos reforçou o caráter reivindicatório do ato. As falas e palavras de ordem cobraram melhores condições de trabalho, reajuste salarial, valorização dos servidores e respostas para problemas estruturais da cidade.
Ao transformar o refrão contra JHC em um dos momentos mais fortes da manifestação, os participantes deram ao ato um componente político evidente. A crítica ao ex-prefeito ocorre em um momento de intensificação do debate sobre os rumos de Maceió e sobre o peso das obras e promessas da antiga gestão na disputa política estadual.
Críticas devem repercutir
O protesto na Pajuçara deve repercutir no meio político alagoano, especialmente pela forma direta como os manifestantes associaram JHC ao problema do Salgadinho e à insatisfação dos servidores.
As frases refletiram o teor político do ato e a insatisfação de parte dos manifestantes com políticas públicas implementadas na capital alagoana.