Críticas e cobranças marcam repercussão de entrevista de Marina Cândia em veículos ligados ao marido e sogro João Caldas
Usuários das redes sociais reclamaram da demora por informações e cobraram divulgação da lista da Mulher Empreendedora
A tentativa de transformar uma entrevista da ex-primeira-dama de Maceió, Marina Cândia, em vitrine política acabou produzindo efeito contrário nas redes sociais. Apresentada em veículos de comunicação ligados ao marido, o ex-prefeito JHC, e ao sogro, João Caldas, Marina falou sobre ações realizadas quando ocupava a condição de primeira-dama da capital, especialmente na área da atenção básica e no programa Saúde da Gente.
Mas, em vez de apenas aplausos ou comentários elogiosos, a publicação virou palco de cobrança. Internautas usaram os perfis onde a entrevista foi replicada para questionar Marina sobre o Banco da Mulher, programa que, segundo os comentários, estaria sem informações claras sobre resultados, listas e encaminhamentos.
A postagem destacava que a experiência no Saúde da Gente teria aproximado o atendimento das comunidades. No texto publicado junto ao vídeo, a ex-primeira-dama aparece falando sobre atendimento individualizado, visitas domiciliares frequentes, ações porta a porta e contato direto com a população como marcas de sua atuação.
Só que o público puxou outro assunto. E foi direto ao ponto.
Nos comentários, mulheres cobraram respostas sobre o resultado do Banco da Mulher e da lista do Mulher Empreendedora. “Abril já passou e até agora nenhuma resposta sobre a lista do Banco da Mulher. Falta de informação gera ansiedade em quem realmente precisa”, escreveu uma internauta. Outra perguntou: “Cadê o resultado do banco de mulheres empreendedora? Que ninguém fala nada?”.
O tom das manifestações mostrou que, para parte do público, a entrevista passou longe da principal preocupação de quem aguardava retorno do programa. Houve cobrança por posicionamento, reclamações sobre ausência de informação e críticas ao que foi classificado por internautas como muito discurso e pouca resposta.
Uma das críticas resumiu o incômodo: “Cadê o resultado do banco da mulher empreendedora? Haja blá-blá-blá e não postam o resultado”. Em outro comentário, uma usuária afirmou que muitas mulheres estavam “na expectativa” e precisavam de retorno.

A situação expôs um problema político para Marina Cândia, que aparece nos bastidores como possível candidata à Câmara dos Deputados nas eleições de outubro. Ao tentar ocupar espaço com uma agenda positiva, a ex-primeira-dama acabou sendo lembrada de uma cobrança concreta: a falta de resposta a mulheres que aguardam informações sobre um programa voltado justamente ao público feminino.
O episódio também revela o risco da comunicação excessivamente controlada. A entrevista foi feita em ambiente favorável, em veículos alinhados politicamente ao grupo familiar, com pauta positiva e narrativa construída para valorizar a atuação de Marina. Mesmo assim, a reação dos internautas furou o roteiro.
Segundo relatos de usuários, parte dos comentários críticos teria sido apagada logo após a publicação. Ainda assim, novas cobranças continuaram aparecendo nos perfis, ampliando o desgaste e transformando uma publicação sobre saúde em uma espécie de cobrança pública sobre transparência, informação e compromisso com as mulheres atendidas — ou que esperavam ser atendidas — pelo Banco da Mulher.
Na prática, a entrevista que pretendia mostrar Marina Cândia como alguém próxima das comunidades acabou evidenciando uma distância: a que existe entre o discurso oficial e a ansiedade de quem espera uma resposta concreta do poder público.
Para quem pretende disputar voto, especialmente junto ao eleitorado feminino, o episódio serve como alerta. Nas redes sociais, propaganda não basta. O público comenta, cobra, registra e, quando não recebe resposta, transforma o palanque digital em mural de reclamação.
O espaço segue aberto para manifestação de Marina Cândia, da Prefeitura de Maceió e dos veículos citados, caso queiram apresentar esclarecimentos sobre o Banco da Mulher, a lista do Mulher Empreendedora e as cobranças feitas pelos internautas.