Impeachment de Julio Casares no São Paulo ganha nova data e mantém voto presencial
Conselho Deliberativo define nova data para votação do afastamento do presidente, que segue sendo realizada apenas de forma presencial, em meio a divergências sobre o quórum necessário.
A votação sobre o afastamento do presidente Julio Casares ganhou nova data no Conselho Deliberativo do São Paulo. A convocação reforça que a votação será exclusivamente presencial, apesar de pedidos para que ocorresse de forma híbrida, devido ao temor de esvaziamento da reunião.
No encontro, Julio Casares terá a oportunidade de se defender das acusações que constam no requerimento do processo, entre elas má gestão orçamentária, venda de atletas abaixo do valor de mercado e uso irregular de camarote.
Após a defesa, será realizada a votação, que será secreta e apenas presencial. Houve dúvidas quanto ao número de votos necessários para o afastamento. O artigo 112 do Estatuto do clube prevê destituição com dois terços dos votos (171 conselheiros), mas o artigo 58 exige aprovação de 75% do Conselho Deliberativo, elevando o número para 191 votos, já que o órgão conta com 255 conselheiros. Este percentual será considerado, pois a convocatória cita os artigos 63, 79 e 58.
Em até 30 dias após a votação do Conselho, uma Assembleia Geral de sócios deverá ser convocada para ratificar a decisão. Nessa instância, basta maioria simples para confirmar o afastamento.
O processo foi aberto após um pedido com 57 assinaturas, superando o mínimo exigido de 50. Entre os opositores de Casares, há o entendimento de que será difícil alcançar o número necessário de votos, especialmente devido ao desgaste político do dirigente.
Um dos fatores que dificultam a votação é o período escolhido, em janeiro, quando parte dos conselheiros está fora de São Paulo. O presidente do Conselho, Olten Ayres, tinha até o dia 23 para convocar a reunião, respeitando o prazo de 30 dias após o recebimento do pedido.
Nesta terça-feira, Casares recebeu apoio do Conselho Consultivo, que emitiu parecer contrário ao impeachment. Embora não seja determinante, o documento serve de base para a discussão durante a votação.
Caso seja afastado pelo Conselho e pela Assembleia, Casares será banido do clube. Se optar pela renúncia, permanece apenas no Conselho Consultivo, situação semelhante à vivida por Carlos Miguel Aidar em 2015, quando deixou a presidência sob acusações de desvio de recursos.