Rui Costa e Rafinha fortalecem bastidores e viram o jogo no São Paulo
Executivo de futebol e novo gerente esportivo consolidam liderança e promovem estabilidade no clube após turbulências políticas.
Na reformulação conduzida por Harry Massis Júnior no São Paulo, o executivo de futebol Rui Costa foi mantido no cargo pelo presidente. Completando cinco anos à frente do departamento, o dirigente ganhou o reforço de Rafinha para conduzir o futebol são-paulino em meio à crise que marcou o fim da gestão Casares.
A chegada do ex-jogador como gerente esportivo foi um pedido do próprio Rui Costa e já apresenta resultados práticos. Desde então, o São Paulo conquistou duas vitórias expressivas, diante de Flamengo e Santos, e os jogadores passaram a elogiar publicamente a atuação dos dois dirigentes.
O técnico Hernán Crespo também celebra o novo momento. O argentino, que antes adotava um discurso mais cauteloso sobre o Brasileirão, agora admite que buscava proteger o grupo e destaca o apoio recebido de Rafinha.
"Crespo é o nosso treinador. Foi muito vitorioso, é muito inteligente", afirmou o gerente esportivo. "Entendemos as declarações, às vezes, no calor do pós-jogo, com atraso de pagamento, sem reforços..."
O atraso no pagamento dos direitos de imagem dos atletas, citado por Rafinha, foi usado como exemplo de algo que não pode servir de justificativa para maus resultados. A nova gestão promete quitar as pendências e evitar novos atrasos.
O cenário é mais estável em relação ao início do ano. Desde o fim de 2025, após a saída do diretor de futebol Carlos Belmonte, Rui Costa era o único elo entre a presidência — então sob comando de Júlio Casares — e o elenco.
Durante as investigações policiais sobre o São Paulo e o pedido de impeachment de Casares, que resultou em sua renúncia, Rui Costa ficou à frente do futebol praticamente sozinho. Com a chegada de Massis, houve pressão da oposição pela saída do dirigente, mas o novo presidente optou por mantê-lo e instaurou um canal de diálogo para buscar melhorias extracampo.
Rui Costa é citado em um dos inquéritos que apuram possíveis irregularidades no clube, a partir de denúncia anônima. No entanto, a Polícia Civil, inicialmente, limitou-se a traçar um perfil profissional do dirigente, que nega qualquer envolvimento. A empresa mencionada como possível laranja já é parceira do São Paulo há duas décadas, antes mesmo da chegada de Rui Costa.
Massis promove mudanças e aproxima antigos opositores
O assessor de imprensa do futebol, Felipe Espindola, será o novo diretor de comunicação do clube, assumindo o posto de José Eduardo Martins, demitido recentemente. Segundo apuração do Estadão, a troca faz parte de um movimento político da atual gestão.
Outros nomes que faziam oposição a Casares também aderiram à equipe de Massis: Miguel Sousa será diretor-adjunto do clube social; Flavio Marques e Dáurio Speranzini, assessores financeiros; e Caio Forjaz, assessor jurídico.
Desde a posse de Massis, o CEO Márcio Carlomagno, considerado braço direito de Casares, deixou o clube. Antonio Donizete, o Dedé, também saiu da função. Embora a versão interna seja de demissão, o ex-diretor social afirmou, em comunicado, que a saída foi uma decisão pessoal para autopreservação.