Clubes da Série B criticam FFU, apontam conflito de interesses com a CazéTV e cobram mudanças
Dezoito times questionam transparência, gestão de contratos e alegam desvalorização da Série B em carta enviada à liga.
Às vésperas do início da Série B, dezoito clubes integrantes da Futebol Forte União (FFU), antiga LFU, uniram-se para criticar de forma contundente a condução das negociações comerciais da liga.
Em documento obtido pelo Estadão, as equipes manifestam "insatisfação e profunda preocupação" com a gestão atual dos contratos de transmissão e com a governança dos recursos financeiros do bloco.
Os clubes signatários listam onze "pontos críticos" que exigem esclarecimentos e retificações, incluindo falhas na administração dos contratos de transmissão, desvalorização do produto Série B, depreciação das cotas, falta de transparência nas negociações e riscos à sustentabilidade financeira das equipes.
Os dirigentes também denunciam um possível conflito de interesses envolvendo investidores da FFU, a LiveMode e a CazéTV, da qual a empresa de mídia e marketing esportivo é sócia.
De acordo com os clubes, essa parceria "gera dúvidas sobre a imparcialidade das decisões e a real defesa dos interesses coletivos". Eles afirmam que esse arranjo teria provocado um desgaste institucional na relação com o Grupo Globo.
Assinam o documento dirigentes de América-MG, Athletic, Atlético-GO, Avaí, Botafogo-SP, Ceará, CRB, Criciúma, Cuiabá, Fortaleza, Goiás, Juventude, Londrina, Novorizontino, Operário-PR, Ponte Preta, Sport e Vila Nova.
Entre os times da Série B, apenas Náutico e São Bernardo não assinam o manifesto. Esses dois clubes não pertencem à FFU nem à Libra e optaram por negociar à parte, intermediados pela CBF, seus direitos de transmissão com a Globo, buscando melhores condições.
No texto, os clubes apontam um "descompasso alarmante" entre as promessas feitas no lançamento da liga e a realidade atual. A principal reclamação refere-se à "desvalorização institucional da Série B", que estaria sendo tratada como um produto secundário em relação à Série A, com esforços comerciais e de marketing concentrados na elite do futebol brasileiro.
Segundo os signatários, essa estratégia resultou na depreciação das cotas de transmissão e patrocínio, com valores considerados abaixo do potencial de mercado e da relevância histórica dos clubes. O cenário preocupa diante do crescimento da indústria do futebol em outras ligas e mercados.
"O produto que oferecemos ao mercado é robusto, possui torcidas nacionais e alta competitividade, mas a atual postura da liderança trata a segunda divisão como um subproduto acessório, falhando em vender a relevância real da competição para o mercado publicitário e de mídia", afirmam os clubes.
O documento também destaca a falta de previsibilidade orçamentária e a inconsistência no cronograma de repasses. Os clubes relatam que não sabem, com antecedência, nem os valores exatos a receber nem as datas dos pagamentos, o que compromete o planejamento financeiro, a montagem de elencos e o cumprimento de obrigações trabalhistas e tributárias.
Os dirigentes alertam ainda para um possível desequilíbrio na alocação de recursos dentro do bloco, o que poderia ferir o princípio da isonomia e afetar diretamente a competitividade esportiva da Série B.