MERCADO FINANCEIRO

Roscongress alerta para risco de bolha financeira em inteligência artificial até 2026

Estudo indica que mais da metade do valor agregado ao S&P 500 em 2024 veio de empresas ligadas à IA. Relatório identifica sinais de supervalorização e alerta para possível correção no setor.

Por Sputnik Brasil Publicado em 18/02/2026 às 22:39
Estudo da Roscongress aponta risco crescente de bolha financeira no setor de inteligência artificial até 2026. © Foto / geralt

O setor de inteligência artificial (IA) pode enfrentar uma bolha financeira já em 2026, segundo estudo da fundação Roscongress. O relatório aponta que a probabilidade de formação dessa bolha ultrapassa 50%, impulsionada, em parte, pela política monetária branda do Federal Reserve dos EUA.

De acordo com o documento, o mercado de IA apresenta sinais típicos de bolhas financeiras, como supervalorização de ativos, forte concentração em poucos papéis, investimentos de capital elevados e alto grau de alavancagem. "Em três dos quatro critérios, o setor de IA já demonstra sinais de bolha", destaca o relatório.

O levantamento mostra que, desde o início de 2024, o índice S&P 500 ganhou cerca de US$ 7,5 trilhões (R$ 39,2 trilhões) em valor, sendo US$ 4,9 trilhões (R$ 25,6 trilhões) provenientes de apenas 17 empresas ligadas à inteligência artificial.

Análises históricas de bolhas — do ouro nos anos 1970 à internet no fim dos anos 1990 — indicam que as cotações reais tendem a crescer dez vezes ao longo de 10 a 15 anos. Segundo os autores, as ações do setor tecnológico dos EUA já atingiram esse patamar, elevando a chance de colapso para mais de 50%.

Apesar dos riscos, investidores seguem apostando nesses ativos. Para os analistas, o comportamento especulativo no mercado "já pode ser classificado como mania financeira".

O relatório também destaca um descompasso entre os investimentos das empresas de IA e o retorno efetivo desses aportes. Em muitos casos, os investimentos ocorrem em ciclo fechado: fabricantes de chips investem em clientes, que aplicam os recursos na compra de chips, enquanto provedores de nuvem captam dívidas lastreadas em equipamentos que podem se tornar obsoletos antes da quitação dos empréstimos.

Segundo o estudo, parte significativa desses investimentos pode não gerar retorno. A primeira metade de 2026 será um período decisivo, quando as empresas do setor precisarão comprovar crescimento sustentável de receita para justificar os aportes realizados. Ainda assim, os especialistas reconhecem a dificuldade de prever o momento exato de uma eventual correção.

Historicamente, o único indicador confiável de colapso tem sido a elevação das taxas de juros e o aperto das condições financeiras. No entanto, a política monetária dos EUA segue relativamente flexível.

Uma possível mudança na liderança do Federal Reserve em maio de 2026, com a provável nomeação de Kevin Warsh — que vê a IA como fator desinflacionário —, pode prolongar as condições favoráveis e adiar uma correção no setor.

Mesmo assim, o relatório alerta para limites estruturais. O volume de dados disponíveis para treinar modelos de IA é finito, e a expansão da capacidade computacional esbarra na escassez de energia elétrica e nas limitações das redes.

Esses limites físicos podem ser atingidos até 2028, início do próximo ciclo presidencial nos EUA, quando, segundo os autores, os desafios do setor de IA se tornarão inevitáveis.