CRISE NO SÃO PAULO

Massis resiste à pressão para renúncia após denúncia envolvendo filha; clube abre sindicâncias

Presidente do São Paulo descarta renúncia após reunião do Conselho Consultivo e clube inicia investigações sobre suposta venda irregular de ingressos por sua filha.

Publicado em 20/02/2026 às 18:07
Harry Massis Reprodução / Instagram

O presidente do São Paulo, Harry Massis Jr., recusou a possibilidade de renúncia ao cargo durante reunião do Conselho Consultivo realizada nesta sexta-feira, no escritório do advogado Ives Gandra, membro do colegiado. O encontro foi motivado por uma denúncia contra sua filha, acusada de comercializar ingressos cortesia de forma irregular no MorumBis. Chris Massis nega as acusações. O clube pretende reformular a política de distribuição de ingressos, reduzindo a quantidade de cortesias disponíveis.

O caso será apurado por duas sindicâncias, uma interna e outra externa. Caso sejam confirmadas irregularidades, o tema será encaminhado à Comissão de Ética do São Paulo.

O Conselho Consultivo, composto por ex-presidentes do clube e do Conselho Deliberativo, debateu a situação nesta sexta-feira. Parte do grupo chegou a sugerir a renúncia de Massis, mas a proposta não avançou. O presidente participou pessoalmente da reunião.

Enquanto isso, cerca de 15 torcedores protestaram em frente ao local, exibindo faixas e entoando palavras de ordem como "Não vai ter golpe". Durante a chegada e saída dos conselheiros, houve cobranças direcionadas a Olten Ayres Jr., presidente do Conselho, além dos ex-presidentes Carlos Miguel Aidar e Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco.

Entenda a denúncia

Chris Massis é acusada de vender ingressos ilegalmente em outubro de 2024, durante o show de Bruno Mars no MorumBis. Ela nega a acusação, alegando que se trata de uma armação para atingir a gestão do pai. Uma gravação atribuída a Chris foi apresentada ao Conselho Consultivo.

No áudio, Chris afirma não ter vendido ingressos, embora admita ter recebido um valor, que teria repassado "para uma pessoa a quem ela ajuda".

Em nota, Harry Massis Jr. declarou não compactuar com qualquer irregularidade e determinou a abertura de investigação interna. "Não tenho compromisso com erro ou malfeito de nenhuma ordem. Pouco importa se a pessoa em questão tem meu sangue ou não", escreveu.

O presidente também revelou ter sido chantageado para que o caso não viesse a público. "Aqui tem um homem íntegro, que tem como único intuito passar o São Paulo Futebol Clube a limpo, custe o que custar e doa a quem doer", completou.

No início de sua gestão, Massis já havia afastado a filha da diretoria adjunta das categorias de base do futebol feminino, visando evitar conflitos de interesse.

O áudio chegou de forma anônima ao presidente do Conselho Deliberativo, Olten Ayres de Abreu Júnior. Caso Massis renuncie, Olten assume a presidência interinamente por 30 dias e deve convocar novas eleições para o mandato-tampão até o fim do ano, quando ocorre o pleito regular para o próximo triênio. Olten nega intenção de concorrer, mas nos bastidores não descarta a possibilidade.

Por sua vez, Massis já sinalizou que não pretende disputar a próxima eleição, mas aliados próximos avaliam lançar candidatura, em oposição ao antigo grupo de Casares. Entre os cotados, está Marcelo Pupo, ex-presidente do Conselho Deliberativo, que atua como consultor de Massis.

Na antiga oposição, dois nomes são mencionados: Vinicius Pinotti, ex-diretor de marketing e futebol, e José Carlos Ferreira Alves, desembargador do TJ-SP, ex-vice-presidente, ex-diretor de futebol e ex-presidente do Conselho Deliberativo do clube.