Núcleo da Terra pode esconder quantidades de hidrogênio suficientes para formar dezenas de oceanos, revela estudo
Pesquisa do ETH Zurique indica que o núcleo terrestre pode conter hidrogênio capaz de gerar até 45 oceanos de água.
Uma pesquisa recente do Instituto Federal de Tecnologia de Zurique (ETH) revelou que o núcleo da Terra pode conter muito mais hidrogênio do que se imaginava. Segundo os cientistas, quantidades substanciais desse elemento teriam sido incorporadas durante os estágios iniciais da formação do planeta.
Embora os oceanos sejam os maiores corpos d’água na superfície terrestre, novas evidências sugerem que eles representam apenas uma fração do hidrogênio armazenado no interior profundo da Terra. Experimentos conduzidos por pesquisadores do ETH, publicados na revista Nature Communications, indicam que o núcleo terrestre pode abrigar hidrogênio suficiente para formar dezenas de oceanos.
O hidrogênio não existe como água líquida no núcleo, mas se transforma em água ao escapar para o manto e reagir com o oxigênio, explica o especialista em geodinâmica Motohiko Murakami, do ETH. “O oxigênio é um dos elementos minerais mais abundantes no manto”, acrescenta.
Estudos anteriores estimavam as reservas de hidrogênio do núcleo com grande margem de erro, baseando-se em medições indiretas feitas a partir da adição de hidrogênio ao ferro e na observação das mudanças de volume. Desta vez, Murakami e sua equipe adotaram uma abordagem experimental mais direta.
Os pesquisadores criaram fragmentos artificiais do núcleo terrestre, envolvendo pedaços de ferro em vidro contendo hidrogênio. Esses fragmentos foram submetidos a intensa pressão entre dois diamantes e aquecidos a temperaturas extremas, chegando a 4.826°C, por meio de um laser.
Nessas condições, as amostras se fundiram, formando bolhas compostas por ferro, silício, hidrogênio e oxigênio, simulando o ambiente do núcleo primitivo da Terra, quando o planeta era um vasto oceano de magma.
Após resfriar e solidificar rapidamente as amostras, a equipe utilizou uma sonda especial para mapear a distribuição dos elementos, identificando estruturas minúsculas solidificadas dentro do ferro. Foi constatada a presença de silício e hidrogênio em quantidades equivalentes dentro dessas estruturas.
Essa proporção de um para um foi considerada crucial, pois experimentos anteriores, simulações e observações geofísicas já sugeriam que o silício corresponde a 2% a 10% do peso do núcleo. Com base nesses novos cálculos, os cientistas estimam que de 0,07% a 0,36% do peso do núcleo corresponde ao hidrogênio, elemento muito mais leve. “Isso equivale a nove a 45 oceanos”, afirma Murakami.
Com o passar do tempo, parte desse hidrogênio pode ter migrado para o manto, formando água, segundo os pesquisadores.
Por Sputnik Brasil