Justiça aceita denúncia e ex-presidente Duílio vira réu no caso dos cartões do Corinthians
Duílio Monteiro Alves responde por apropriação indébita após uso de cartão corporativo do clube para despesas pessoais; defesa confia no esclarecimento dos fatos.
Os bastidores políticos do Corinthians ganharam novo capítulo nesta segunda-feira (10) depois que a Justiça aceitou a denúncia do Ministério Público contra o ex-presidente Duílio Monteiro Alves, que agora é réu pelo crime de apropriação indébita. A defesa do ex-dirigente, liderada pelo advogado Lucas Lopes Knupp, afirmou ter "confiança no Poder Judiciário e no devido processo legal" , acreditando que todos os fatos serão devidamente esclarecidos durante o trâmite processual.
Duílio é acusado de utilizar o cartão de crédito do clube para fins pessoais durante sua gestão, entre 2021 e 2023.
A denúncia foi acolhida pela juíza Elaine Cristina Pulcineli Vieira Gonçalves, da 15ª Vara Criminal de São Paulo, que, entretanto, rejeitou pedidos do Ministério Público como bloqueio de bens e quebra de sigilo bancário ou fiscal.
Segundo as investigações, o cartão corporativo do Corinthians teria sido usado em estabelecimentos como freeshops, restaurantes, hotéis, salão de cabeleireiro, loja náutica e até em site de venda de roupas. O Ministério Público aponta que as despesas somam R$ 41.822,62.
Além desse valor, o promotor Cassio Conserino solicita que Duílio pague R$ 31.366,96 a título de indenização ao clube do Parque São Jorge por danos materiais.
De acordo com o documento obtido pelo Estadão, há "indícios suficientes de autoria e materialidade" nos autos do inquérito policial. O réu tem prazo de dez dias para responder à acusação, conforme o artigo 396 do Código de Processo Penal. Nesse período, serão coletados depoimentos, interrogatórios e provas produzidas.
No mesmo prazo, a defesa de Duílio deverá informar à Justiça se prefere audiência virtual ou presencial. A resposta deve ser encaminhada por meio do advogado do ex-presidente.
O QUE DIZ A DEFESA DE DUÍLIO MONTEIRO ALVES
A defesa de Duílio Monteiro Alves declarou ter tomado conhecimento da decisão judicial que recebeu a denúncia do Ministério Público, ressaltando que essa medida representa o início formal do processo, no qual os fatos passam a ser analisados com garantia do contraditório e da ampla defesa.
Na mesma decisão, a Justiça indeferiu os pedidos do Ministério Público referentes à quebra de sigilos bancário e fiscal, bloqueio de bens e outras medidas restritivas, por entender que não havia elementos suficientes para tais providências.
A defesa reafirma sua confiança no Poder Judiciário e no devido processo legal, acreditando que todos os fatos serão esclarecidos ao longo do processo.