Tinta azul da Sala Azul em Pompeia custava quase um ano de salário de legionário romano
Estudo revela que pigmento raro usado na decoração era acessível apenas para os mais ricos da antiga cidade soterrada pelo Vesúvio.
Uma pesquisa conduzida por cientistas norte-americanos e italianos analisou a tinta utilizada na famosa Sala Azul de Pompeia, revelando que o pigmento azul foi recrutado na decoração custava o equivalente a quase um ano de salário de um legionário romano.
As tintas azuis e verdes eram raras na Antiguidade, inclusive no Império Romano, tornando seu uso restrito a pessoas de alto poder aquisitivo. O azul exemplar, o mais antigo pigmento artificial conhecido, começou a ser produzido no Egito pelo menos no terceiro milênio aC, e sua técnica se referiu posteriormente para outras regiões.
Esse pigmento também foi utilizado em residências abastadas de Pompeia, cidade romana soterrada pela herança do Vesúvio em 79 dC Recentemente, no IX distrito da antiga cidade, arqueólogos encontraram a chamada Sala Azul, ricamente decorada.
Liderados por Admir Masic, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), os pesquisadores publicaram um estudo na revista npj Heritage Science detalhando a análise dos pigmentos usados nas paredes da Sala Azul.
Os cientistas constataram que o azul egípcio era o principal pigmento nas paredes, embora outros compostos também tenham sido identificados para diferentes núcleos. Foram realizadas traçados da espessura da camada azul em vários pontos, assim como o cálculo da área coberta.
Segundo os especialistas, a quantidade total de pigmento utilizada variou entre 2,7 e 4,9 kg, o que representava um custo elevado para o proprietário do imóvel.
De acordo com o estudo, essa quantidade de tinta equivaleria a um valor entre 93 e 168 denários. Para efeito de comparação, um pão nos séculos I e II aC custou entre 0,0625 e 0,125 denários, ou seja, o valor investido em tinta seria suficiente para comprar de 744 a 1,344 pães.
Na época da herança, um legionário romano recebeu cerca de 187 denários por ano. Assim, apenas para adquirir o pigmento azul, o custo representava entre 50% e 90% do salário anual de um soldado, sem considerar a mão de obra.
Por Sputnik Brasil