IPIE e gestores esportivos lançam carta com diretrizes estratégicas para a consolidação do Sistema Nacional do Esporte
Entre 23 e 24 de fevereiro, 124 representantes de entidades públicas e privadas do setor esportivo reuniram-se no Instituto de Pesquisa Inteligência Esportiva da Universidade Federal do Paraná (IPIE/UFPR) para debater o monitoramento do esporte brasileiro e os sistemas esportivos. Como resultado desse encontro foi elaborada a “Carta para o Esporte: Monitoramento e Avaliação do Sistema Nacional de Informações e Indicadores Esportivos”.
O documento estabelece diretrizes estratégicas para o monitoramento e avaliação do esporte brasileiro, fundamentadas na Lei Geral do Esporte (Lei nº 14.597/2023). A carta propõe uma gestão sistêmica integrada por dados e indicadores para garantir o acesso universal, a formação de qualidade e a excelência esportiva de forma sustentável no país.
Ao longo dos dois dias de trabalhos, profissionais de diversos setores, incluindo representantes dos governos federal, estadual e municipal, comitês, confederações, federações, clubes, Forças Armadas, órgãos de controle, entre outros que possuem diferentes atribuições dentro do campo esportivo brasileiro, compartilharam suas experiências e discutiram o monitoramento do esporte brasileiro e os sistemas esportivos nos estados e municípios (GEEM), de Gestão das Entidades Nacionais de Administração do Esporte (GENAE), da Rede Nacional de Treinamento (RNT) e da Rede de Desenvolvimento do Esporte (RDE). O debate foi estruturado em torno dos três níveis de prática previstos em lei: Formação Esportiva, Excelência Esportiva e Esporte para Toda a Vida.
Como forma de aproximação do esporte de outros setores, a reunião contou com participação de representantes dos ministérios da Saúde, Educação, Ciência, Tecnologia e Inovação, Direitos Humanos e da Cidadania, Defesa, além do Ministério do Esporte, demonstrando a importância da intersetorialidade na discussão.
Integração e Desafios Estruturais
O documento sugere que a formação esportiva seja tratada de forma transversal e contínua, focada no letramento corporal para evitar o abandono da prática na vida adulta. O texto defende a inserção de profissionais especializados no contraturno escolar para complementar o papel pedagógico da Educação Física. Propõe-se a regulamentação do Fundo Nacional do Esporte específico para a formação, além da integração de emendas parlamentares aos Planos Nacional, Estaduais e Municipais de esporte.
Para a Excelência Esportiva, a estratégia central é o fortalecimento da Rede Nacional de Treinamento (RNT), que deve atuar como infraestrutura crítica do país. A RNT deve articular centros nacionais e regionais para garantir a transição segura do atleta da especialização (12-17 anos) ao alto rendimento.
A modernização tecnológica também é um pilar fundamental. O uso de Big Data e Inteligência Artificial é recomendado para o Sistema Nacional de Informações e Indicadores Esportivos (SNIIE). O recebimento de recursos públicos deve ser condicionado ao preenchimento rigoroso de sistemas de dados, combatendo a opacidade orçamentária.
No âmbito do Esporte para Toda a Vida, a carta reforça o esporte como política de saúde e bem-estar, defendendo sua integração ao SUS e às políticas de assistência social. O lazer é apontado como o elemento articulador que garante a adesão às atividades culturais.
Por fim, o manifesto conclui que a gestão pública deve migrar de ações fragmentadas para uma abordagem sistêmica, baseada no tripé: Conselho, Plano e Fundo. O Instituto Inteligência Esportiva coloca-se à disposição para atuar no tratamento e organização desses indicadores para a comunidade esportiva.
A “Carta para o Esporte: Monitoramento e Avaliação do Sistema Nacional de Informações e Indicadores Esportivos” pode ser acessada no site do Instituto de Pesquisa Inteligência Esportiva pelo link https://ipie.ufpr.br/carta-esporte/