Ferrari testa asa traseira rotativa no GP da China para desafiar domínio da Mercedes
Escuderia italiana aposta em inovação aerodinâmica durante treino livre em Xangai para encurtar distância para rivais.
O início promessa da Ferrari na temporada 2026 da Fórmula 1, com terceiro e quarto lugares conquistados na Austrália, não satisfaz a equipe italiana. Determinada a encerrar um jejum de 18 anos sem títulos, a Ferrari vai introduzir uma inovadora asa traseira rotativa "flip-flop" no treino livre do GP da China, marcado para a madrugada desta sexta-feira, no Circuito Internacional de Xangai. O objetivo é diminuir a vantagem da Mercedes, que começou o ano com uma dobradinha dominante.
Testada na segunda semana da pré-temporada no Bahrein, a nova asa traseira da Ferrari despertou grande interesse no paddock. O componente se destaca por ir além do ajuste convencional de orientação, sendo capaz de girar completamente de cabeça para baixo. Essa rotação cria um espaço maior para a passagem do ar, o que reduz o arrasto e potencializa a velocidade em retas.
“Passamos um dia inteiro ou mais trabalhando na asa e acho que ela traz alguma vantagem”, afirmou Lewis Hamilton, quarto colocado na Austrália, ao comentar sobre a novidade. “Sou muito grato à equipe porque, na verdade, ela estava prevista para mais tarde, e eles trabalharam muito para desenvolvê-la e trazê-la para cá”, acrescentou o piloto, confirmando que a Ferrari antecipou o uso do sistema que pode ser decisivo nas próximas etapas.
Hamilton também destacou o significado da estreia da peça em Xangai: “Além da peça em si, o que é interessante é a mensagem que sua chegada à China transmite” , disse, referindo-se ao nome dado à asa, Macarena. A escuderia não conquista um título de pilotos desde 2007, com Kimi Raikkonen, e espera voltar ao topo com o inglês ou com Charles Leclerc, terceiro colocado em Melbourne. O último título de Construtores foi em 2008.
O heptacampeão confirma que a Mercedes declarou superioridade no GP da Austrália, com George Russell e Kimi Antonelli dominando a prova, mas aposta que a asa rotativa pode ser um diferencial para reduzir essa diferença, mesmo que seu potencial ainda não seja totalmente conhecido.
"É ótimo ver que a equipe está lutando, se esforçando, buscando a vitória e trabalhando incansavelmente na fábrica para trazer melhorias, porque esse é o objetivo", concluiu Hamilton. "No ano passado, não consegui ver todo o potencial da equipe nesse modo, porque estávamos focados no carro deste ano."