COI anuncia exclusão de atletas transgêneros das Olimpíadas de 2028
Nova política limita participação feminina a mulheres biológicas e segue tendência de federações esportivas internacionais
O Comitê Olímpico Internacional (COI) anunciou nesta quinta-feira uma nova política que exclui atletas mulheres transgênero dos Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 2028. A medida, que passa a valer a partir da próxima edição dos Jogos, determina que a elegibilidade para competições femininas ficará restrita a mulheres biológicas, conforme avaliação genética baseada no gene SRY.
"A elegibilidade para qualquer evento da categoria feminina nos Jogos Olímpicos ou em qualquer outro evento do COI, incluindo esportes individuais e coletivos, agora se limita a mulheres biológicas", destacou o COI em comunicado oficial. A decisão segue uma tendência já adotada por federações de atletismo, natação e ciclismo, que também restringiram a participação de mulheres transgênero que passaram pela puberdade masculina.
Até o momento, não há registros de mulheres transgênero competindo em nível olímpico. Nenhuma atleta que tenha realizado a transição de gênero após nascer com o sexo masculino participou dos Jogos Olímpicos de Paris 2024.
Segundo o COI, a nova política visa "proteger a justiça, a segurança e a integridade na categoria feminina". O documento ressalta ainda que a regra não tem efeito retroativo e não se aplica a esportes de base ou recreativos. A Carta Olímpica do COI reforça que o acesso à prática esportiva é um direito humano.
O anúncio foi feito após reunião do conselho executivo, que publicou um documento detalhando a nova diretriz. O texto também restringe a participação de atletas com diferenças no desenvolvimento sexual (DDS), como a bicampeã olímpica de atletismo Caster Semenya.
Kirsty Coventry, presidente do COI e primeira mulher a liderar a entidade em seus 132 anos de história, priorizou a revisão da "proteção da categoria feminina" desde sua posse em junho do ano passado. A questão foi central na última eleição do COI, em que candidatos prometeram políticas mais rigorosas sobre o tema.
O documento divulgado pelo COI apresenta pesquisas indicando que o sexo masculino confere vantagens físicas mantidas ao longo da vida, especialmente em esportes que dependem de força, potência e resistência. "Os homens experimentam três picos significativos de testosterona: no útero, na mini-puberdade da infância e a partir da puberdade da adolescência até a idade adulta", cita o relatório.
Trump lançou medida semelhante em fevereiro
Em fevereiro, o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou uma ordem executiva proibindo a participação de mulheres trans em esportes femininos. "De agora em diante, os esportes femininos serão apenas para mulheres", declarou Trump, acrescentando que as escolas que descumprirem a ordem poderão ser investigadas por violações do Título IX e perder financiamento federal.
A iniciativa, intitulada "Manter os homens fora dos esportes femininos", fundamenta-se no Título IX, legislação que proíbe discriminação com base no sexo em programas educacionais financiados pelo governo federal.