Conselho reprova contas do São Paulo após R$ 7 milhões sem explicação na gestão Casares
Ex-presidente pode enfrentar processo de exclusão do clube, enquanto atual diretoria lida com impactos negativos no mercado
O Conselho Deliberativo do São Paulo reprovou, por ampla maioria (194 votos a 34, com quatro abstenções), as contas referentes à gestão de 2025, ainda sob o comando de Júlio Casares. A decisão pode resultar na abertura de um processo que vise a exclusão do ex-presidente do quadro de associados do clube.
O principal motivo para a rejeição do balanço foi a ausência de comprovação sobre a destinação de R$ 7 milhões, registrados como "fundo promocional da presidência". A inconsistência foi apontada em relatório de auditoria independente realizado pela empresa RSM, que analisou as finanças do clube.
Embora não haja sanções diretas para a atual administração de Harry Massis Júnior, a reprovação prejudica a imagem do São Paulo no mercado, podendo dificultar negociações de patrocínios e operações de crédito. Na primeira semana de abril, o Conselho votará ainda dois novos pedidos de crédito apresentados pelo clube.
Em casos extremos, o São Paulo corre o risco de ser excluído do Programa de Modernização da Gestão e de Responsabilidade Fiscal do Futebol Brasileiro (Profut), que permite o parcelamento de dívidas fiscais e trabalhistas em até 240 meses.
Para Júlio Casares, as consequências podem ser ainda mais severas. Conselheiros podem instaurar processo por gestão temerária, o que pode culminar na exclusão definitiva do ex-dirigente do clube.
Os valores não esclarecidos integram investigação conduzida por força-tarefa formada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP). Um dos inquéritos apura suspeitas sobre R$ 11 milhões sacados das contas do São Paulo durante a gestão Casares.
Segundo a defesa do ex-presidente, R$ 4 milhões desses valores referem-se a despesas com arbitragem e pagamento de "bicho" a jogadores, informação já apresentada em janeiro, quando as investigações vieram a público.
Internamente, os saques também foram citados em relatório de Paulo Affonseca de Barros Faria Neto, membro do Conselho Fiscal, que recomendou a rejeição das contas do exercício de 2025.
Faturamento recorde e redução do endividamento não impedem reprovação
Apesar das irregularidades, o São Paulo apresentou desempenho financeiro superior ao do ano anterior. O clube alcançou faturamento recorde de R$ 1 bilhão e reduziu sua dívida em R$ 100 milhões, encerrando 2025 com débito de R$ 858,2 milhões, frente aos R$ 968,2 milhões de 2024. No entanto, as despesas aumentaram de R$ 908 milhões (2024) para R$ 943 milhões (2025).
Em 2024, o clube lançou um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC), visando amortizar dívidas com instituições financeiras, substituindo parte do débito por operações com juros menores. Uma das exigências do fundo era a obtenção de superávit no exercício, mas, mesmo com déficit, receitas a receber foram consideradas para reduzir a dívida daquele ano.
O planejamento financeiro para 2026 prevê novo superávit, embora o clube registre déficits mensais consecutivos. A previsão orçamentária depende fortemente da venda de jogadores, que representam cerca de 40% da receita estimada em R$ 931,8 milhões.
A gestão de Harry Massis Júnior trabalha em readequações para conter gastos, já que não é possível refazer o orçamento aprovado para 2025. O clube já anunciou medidas em busca do equilíbrio financeiro, antecipadas pelo jornal Estadão.