Contrato de R$ 42 milhões entre BRB e Flamengo é alvo de investigação no DF
Deputado solicita análise do Tribunal de Contas e questiona prioridade do patrocínio em meio à crise do banco
O contrato de patrocínio renovado entre o Banco de Brasília (BRB) e o Flamengo, no valor de R$ 42,6 milhões, tornou-se alvo de questionamentos na esfera pública do Distrito Federal.
O deputado distrital Ricardo Vale (PT-DF) apresentou dois requisitos para apurar possíveis irregularidades no acordo firmado entre o banco e o clube carioca. O primeiro requisito consiste em um pedido de liminar ao Tribunal de Contas do Distrito Federal (TC-DF), solicitando uma análise imediata do contrato, que foi prorrogado até março de 2027.
No pedido, o parlamentar solicita a suspensão cautelar do acordo até que sejam avaliados critérios como legalidade, economicidade e interesse público. “Estamos diante de um banco público em crise que amplia gastos com publicidade de retorno duvidoso. É preciso avaliar se esse contrato atende ao interesse da população”, argumenta Ricardo Vale.
O novo contrato prevê que a sigla do banco não seja estampada na camisa do Flamengo. Em seu lugar, aparecerá a marca “Nação BRB Fla”, um banco digital fruto da sociedade entre Flamengo e BRB. Um dos objetivos da medida seria evitar a associação direta do clube ao BRB, que recentemente esteve envolvido no escândalo relacionado ao banco Master.
"Diante dessa realidade econômica sem precedentes, esperava-se que a administração da Instituição Financeira, no enfrentamento da gravíssima crise que enfrenta, agisse com maior ponderação e parcimônia nos negócios e contratos firmados pelo Banco", afirma o deputado no requisito encaminhado ao TC-DF, ao qual o Estadão teve acesso.
O BRB enfrentou uma crise de confiança desde a liquidação do banco Master e a revelação de que a instituição estatal roubou R$ 12,2 bilhões em créditos inexistentes da empresa de Daniel Vorcaro. O banco público também tentou adquirir parte da instituição, na proposta feita em 28 de março de 2025, mas o Banco Central negou o pedido em setembro do mesmo ano.
Ricardo Vale aponta “variadas operações irregulares, atípicas e criminosas” do BRB e reforça a necessidade de maior cautela da diretoria nos contratos firmados.
Deputado questiona patrocínio do BRB a clube fora do DF
Em um segundo documento, protocolado na Câmara Legislativa do Distrito Federal, o deputado solicita acesso a uma série de informações:
1 - Cópia de todos os contratos do BRB e de suas subsidiárias envolvidas em publicidade ou patrocínio com times de futebol, especialmente o Flamengo;
2 - Valor de cada contrato e dos pagamentos realizados;
3 - Relatório que comprova a utilização do BRB nas peças publicitárias contratadas;
4 - Demonstração do retorno financeiro para o BRB ou suas subsidiárias relativas à publicidade ou patrocínio;
5 - Técnica justificativa para a escolha do Flamengo como parceiro de patrocínio ou publicidade.
O parlamentar argumenta que os R$ 42,6 milhões investidos pelo BRB no Flamengo seriam "imprescindíveis para a liquidez" do banco e questiona a prioridade dada ao contrato com um clube de fora do Distrito Federal.
"Não parece fazer sentido que, nesse momento tão difícil de sua história, a direção do BRB desvie seus esforços para negociar patrocínios com um tempo específico de futebol, que sequer é sediado no Distrito Federal, enquanto precisa de empréstimos bilionários para continuar operando", conclui Ricardo Vale.