Comissão de Ética do São Paulo recomenda expulsão de conselheiros após escândalo dos camarotes
Órgão interno pede exclusão de Mara Casares e Douglas Schwartzmann por envolvimento em esquema clandestino de venda de ingressos; decisão será votada pelo Conselho Deliberativo
A Comissão de Ética do São Paulo Futebol Clube recomendou, nesta segunda-feira, a expulsão dos conselheiros Mara Casares e Douglas Schwartzmann , após concluir o relatório da investigação interna sobre um esquema clandestino envolvido na exploração de um camarote no estádio MorumBis. O pedido será submetido ao Conselho Deliberativo do clube, que terá até 30 dias para convocar uma votação sobre a exclusão da dupla — a pena máxima prevista no estatuto são-paulino.
A decisão foi unânime entre os membros do órgão fiscalizador, formado pelos conselheiros Antônio Maria Patiño Zorz, Felipe Nelli Soares, Luiz Augusto Lia Braga, Marcelo Felipe Nelli Soares e Milton José Neves Junior.
O MorumBis possui diversos camarotes utilizados em jogos e shows. Entre eles está o camarote 3A, conhecido como “Sala Presidencial”, que não é comercializado e fica em frente ao gabinete do presidente do clube.
Mara Casares e Douglas Schwartzmann são apontados como envolvidos em um esquema de venda de ingressos para esse espaço, sem autorização do clube. Ambos foram flagrados em gravações que revelaram a existência do esquema, descrito como "clandestino" pelos próprios investigados. Quando ouvidos pela Comissão de Ética, negaram qualquer irregularidade.
Douglas afirmou ter se expressado mal ao mencionar, em áudio, que a divulgação do caso seria problemático, alegando tratar-se de uma situação. Na gravação, ele pressionou Rita de Cássia Adriana Prado, envolvida nas vendas do camarote, para retirar um processo que poderia expor o caso.
O ex-diretor da base também declarou não haver provas de que tenha recebido dinheiro pelo uso irregular do camarote. Mara Casares, por sua vez, alegou que apenas ajudava uma parceira da diretoria feminina, que liderava. Segundo o Ministério Público de São Paulo (MP-SP), Adriana mantém negócios com Mara no clube desde 2022.
Ministério Público íntimo dirigentes
As denúncias de irregularidades em São Paulo continuam após a revelação do caso dos camarotes. Na nova fase da investigação, o Ministério Público intimou o presidente Harry Massis Jr. e outros sete dirigentes para prestar esclarecimentos sobre suspeitas de conflito de interesses, uso indevido da marca do clube e outros temas.
O promotor Paulo Destro expediu as intimações após receber a denúncia da advogada Amanda Nunes Costa, líder do grupo Frente Democrática em Defesa do São Paulo. No documento, ela relata a ausência de registro do vínculo conjugal entre Érika Podadera, ex-diretora administrativa desligada na última sexta-feira (27), e o ex-superintendente geral Marcio Carlomagno.
Também há suspeitas de falsificação de assinaturas para aumento de alterações de diretores. Outro ponto da denúncia trata da venda de produtos com a marca de São Paulo, divulgados nas redes sociais por Jaqueline Meirelles, ex-namorada de Casares, e solicitação de apuração sobre eventual licenciamento.
Além de Massis, foram intimados Roberto Soares Armelin, Érica Ruiz Podadera, Marcio Carlomagno, Érica Duarte, Jaqueline Meirelles, Sergio Augusto Fonseca Pimenta e Eduardo Toni.