BALANÇO FINANCEIRO

Santos vê dívida chegar a R$ 1 bilhão em 2025, mesmo com aumento de receita

Clube supera expectativas de arrecadação, mas enfrenta déficit contábil e passivo elevado após temporada histórica

Publicado em 03/04/2026 às 18:15
Reinaldo Campos / Santos FC

O Santos encerrou 2025 com uma dívida próxima de R$ 1 bilhão. De acordo com relatório do Conselho Fiscal, o endividamento total atingiu R$ 998,5 milhões, enquanto o passivo geral do clube ultrapassa R$ 1,23 bilhão.

A maior parte desse valor está relacionada às despesas operacionais do dia a dia, somando R$ 690,6 milhões, incluindo salários, direitos de imagem, acordos judiciais, empréstimos e pagamentos a fornecedores. Outros R$ 307,8 milhões correspondem a dívidas antigas, como impostos parcelados e processos judiciais.

O balanço também aponta R$ 233,4 milhões em receitas antecipadas, valor considerado no passivo, mas que não representa dívida imediata. Por isso, esse montante foi desconsiderado no cálculo do endividamento principal.

Fatores como a alta da taxa Selic e a variação cambial em contratos contribuíram para o aumento da dívida. Apenas com despesas financeiras, o Santos desembolsou R$ 75,9 milhões em 2025.

Apesar do cenário preocupante, o clube manteve em dia as certidões negativas de débitos, cumprindo exigências de programas como o Profut, além de renegociar compromissos financeiros com apoio da EXA Capital. No campo operacional, o Santos registrou superávit de R$ 104,9 milhões, superando em R$ 76 milhões o valor previsto no orçamento.

Mesmo assim, o resultado final foi negativo: o clube apresentou déficit contábil de R$ 79,3 milhões, impactado principalmente por despesas que não afetam diretamente o caixa no curto prazo, como amortizações e depreciações, que somaram R$ 94,1 milhões — especialmente em valores ligados à amortização de atletas, negociadas por gestões anteriores. Além disso, pesaram no balanço as despesas financeiras e provisões para demandas judiciais.

Em processo de recuperação financeira, o Santos arrecadou R$ 678,5 milhões em 2025, um crescimento de quase 70% em relação a 2023, antes da temporada na segunda divisão. Em 2024, a arrecadação foi de apenas R$ 407 milhões, em um dos anos mais difíceis da história do clube.

A receita superou em cerca de 60% o valor previsto para o período, com destaque para cotas de TV, transferências de atletas e aumento expressivo no número de sócios.

Neste último aspecto, a chegada de Neymar teve papel fundamental. O impacto da contratação se refletiu diretamente no engajamento da torcida e na adesão ao programa de associados, que gerou cerca de R$ 50 milhões ao longo do ano — mais do que o dobro do inicialmente previsto.