Composição de rochas lunares indica presença de oxigênio na Lua há 3,8 bilhões de anos
Estudo revela que minerais coletados durante missão Apollo 17 guardam indícios de oxigênio no passado lunar.
Após analisar a composição química da ilmenita presente na Lua e identificar titânio trivalente em sua estrutura, cientistas concluíram que o satélite natural da Terra já teve oxigênio em sua superfície, segundo informações do portal Science Alert.
Como a Lua não possui atmosfera nem atividade tectônica, suas características geológicas permanecem praticamente inalteradas ao longo de bilhões de anos. Isso permite que os pesquisadores estudem vestígios do passado lunar preservados desde sua formação.
"As rochas formadas durante a atividade vulcânica inicial na Lua fornecem um vislumbre de eventos que ocorreram há quase 4 bilhões de anos", destaca a publicação.
O estudo analisou a ilmenita, mineral originado do antigo magma lunar e composto por ferro, titânio e oxigênio. Os cientistas observaram que cerca de 15% do titânio na amostra apresenta uma carga elétrica menor do que a usual.
Na ilmenita, normalmente o átomo de titânio perde quatro elétrons ao se ligar ao oxigênio, resultando em carga positiva de 4+, conhecida como grau de oxidação.
"Durante o estudo da amostra de rocha coletada na missão Apollo 17, descobrimos que parte do titânio na ilmenita tem carga de apenas 3+, ou seja, é o chamado titânio trivalente", explicam os pesquisadores.
A presença desse titânio trivalente indica que, na época da formação da rocha — cerca de 3,8 bilhões de anos atrás — havia oxigênio suficiente na Lua para permitir tal estado químico.
Até o momento, a equipe analisou apenas uma amostra de ilmenita. Para validar a hipótese, os cientistas planejam estudar outras 500 amostras do mineral, em busca de mais evidências de titânio trivalente.