Astrônomos descobrem queda inédita de gás frio que explica o súbito apagão das galáxias
Galáxias pós-surto estelar revelaram um desligamento abrupto na formação de estrelas: após explosões recentes de atividade, muitas esgotam rapidamente seu gás molecular, enquanto outras mantêm reservas que podem permitir um raro e temporário renascimento cósmico.
A morte de uma galáxia é tudo menos gradual. Quando suas regiões formadoras de estrelas entram em colapso, o processo ocorre de forma abrupta, em um desligamento súbito que os astronômos chamam de extinção rápida. Esse apareceu marca o surgimento das galáxias pós-surto estelar, sistemas que viveram recentemente um período intenso de formação de estrelas, mas que agora exibem um silêncio cósmico intrigante.
Essas galáxias são raras — menos de 1% do total — e funcionam como cenas de crimes astronômicos. A luz visível já revelava pistas, como fortes linhas de captação de estrelas jovens combinadas à ausência de sinais de formação estelar ativa. Mas métodos antigos deixaram escapar parte das galáxias, criando lacunas importantes na compreensão do conhecimento.
Para entender por que a formação estelar cessa tão rapidamente, é preciso olhar para o combustível essencial: o gás frio, especialmente o hidrogênio molecular. Sem esse material, ou se ele estiver perturbado, as estrelas simplesmente deixam de nascer. No entanto, os estudos anteriores eram inconsistentes, com critérios variados e amostras pequenas, o que gerava resultados conflitantes — inclusive as hipóteses de galáxias ricas em gás que, misteriosamente, não formavam estrelas.
Outras pesquisas demonstraram que algumas dessas galáxias não estavam realmente "mortas", mas sim escondidas atrás de poeira densa, mascarando a formação estelar em observações ópticas. O cenário, portanto, foi nebuloso e projetado uma abordagem mais robusta para esclarecer o enigma.
Foi essa lacuna que motivou o projeto EMBERS I, liderado por Ben F. Rasmussen. A equipe decidiu realizar uma primeira avaliação uniforme dos reservatórios de gás atômico e molecular em uma grande amostra de galáxias pós-surto estelar, adotando uma estratégia abrangente e padronizada — como substituir uma foto borrada por uma investigação completa.
Os pesquisadores selecionaram 114 galáxias do Sloan Digital Sky Survey e iniciaram longas campanhas de observação. Para detectar hidrogênio atômico, recorremos ao gigante radiotelescópio FAST, na China. Já o hidrogênio molecular foi prejudicado por meio da emissão de monóxido de carbono, medida em quase 190 horas de observações com o telescópio IRAM, resultando em uma amostra final de 61 galáxias observadas.

Os resultados mostram que, em média, essas galáxias possuem entre 0,3 e 0,6 vez menos hidrogênio molecular do que galáxias semelhantes que ainda formam estrelas. A conclusão é clara: a extinção rápida está fortemente ligada ao esgotamento do combustível estelar — quando o gás acaba, a festa termina.
Mas o estudo também revela uma diversidade surpreendente. Algumas galáxias pós-surto ainda possuem pontos específicos de gás, variando de 2% a 250% de sua massa estelar. Isso indica que não existe um único caminho para o desligamento estelar: algumas galáxias parecem condenadas a um fim definitivo, enquanto outras podem ter um segundo ato, com a possibilidade de reaparecer temporariamente a formação de estrelas.
Por Sputinik Brasil